Caso Master: Toffoli recolhe provas no STF e impede perícia imediata da Polícia Federal

Ministro critica atuação da PF, aponta demora no cumprimento de ordens judiciais e decide que provas apreendidas fiquem sob custódia direta da Corte

14 jan, 2026
Ministro Dias Toffoli | Reprodução/Rosinei Coutinho/STF
Ministro Dias Toffoli | Reprodução/Rosinei Coutinho/STF

O ministro Dias Toffoli determinou que todos os bens, documentos e materiais apreendidos pela Polícia Federal na investigação sobre o Banco Master sejam lacrados e mantidos sob guarda do Supremo Tribunal Federal. A decisão, tomada no âmbito da Operação Compliance Zero, impede a realização imediata de perícias e transfere ao STF a custódia direta das provas.

A ordem foi expedida após a deflagração de uma nova fase da operação, nesta quarta-feira (14), que teve como alvo o empresário Daniel Vorcaro e pessoas próximas. No despacho, Toffoli afirmou haver demora e falta de empenho da Polícia Federal no cumprimento de determinações judiciais anteriores.

Determinação surpreende investigadores

No texto da decisão, Toffoli estabeleceu que todos os bens e materiais apreendidos, tanto nesta etapa quanto em fases anteriores, devem permanecer lacrados e acautelados na sede do STF até nova deliberação. A medida inclui documentos, equipamentos eletrônicos e itens de alto valor recolhidos durante as diligências.


Comportamento de Toffoli com o Banco Master levanta suspeitas (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


A determinação causou estranhamento entre investigadores da Polícia Federal. Segundo apuração da TV Globo, peritos alertaram que a impossibilidade de realizar exames técnicos nos próximos dias pode comprometer dados relevantes, especialmente em dispositivos eletrônicos. Um pedido de autorização para perícia imediata foi encaminhado ao gabinete do ministro, que ainda não se manifestou.

Operação mira fraudes e bloqueia bilhões

A Operação Compliance Zero apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master. Ao todo, a PF cumpriu 42 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Daniel Vorcaro, dono do banco, além de imóveis de parentes próximos, como o pai, a irmã e o cunhado, em São Paulo e outros estados.


Banco Master: segunda fase da Operação Compliance Zero (Vídeo: reprodução/X/@BandJornalismo)


Também foram alvos o empresário Nelson Tanure e o investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos. Durante as ações, os agentes apreenderam carros importados, relógios de luxo, dinheiro em espécie e aparelhos celulares. Até o último balanço divulgado, R$ 97,3 mil em dinheiro vivo haviam sido contabilizados.

Além das buscas, Toffoli autorizou o sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões. A investigação aponta um esquema de captação de recursos, aplicação em fundos e posterior desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. Em nota, o gabinete do ministro afirmou que o acautelamento imediato das provas tem como finalidade preservar o material recolhido, que será submetido à perícia pelas autoridades competentes no momento oportuno.

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