Donald Trump ameaça invadir e anexar Groenlândia ao território americano
Em meio a tensão diplomática entre o presidente americano e os líderes europeus, tarifas podem aumentar em até 25% se Groenlândia não for vendida aos EUA
A Groenlândia voltou ao centro das tensões internacionais após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um pacote de tarifas contra países da União Europeia e retomar discursos sobre a possível anexação da ilha. Segundo o presidente, a Dinamarca falhou em afastar as ameaças russas de seu território e promete assumir essa função, invadindo a ilha.
Território estratégico
Segundo o presidente a ilha é um território essencial para o projeto americano de defesa antimíssil Domo de Ouro e é necessária para a defesa do país. Em seu maior canal de comunicação, a rede Truth Social, ele afirma que se não ocupar o território, alguma das potências mundiais, China ou Rússia, invadirá a Ilha.
Texto de Donald Trump justificando possível invasão (Foto: reprodução/Truth Social/@realDonaldTrump)
Interesse na terra rara
A Groenlândia, maior ilha do mundo, era uma colônia da Dinamarca até 1953, quando se tornou um território semi-autônomo. No entanto, durante a 2ª Guerra Mundial o território dinamarquês foi ocupado pela Alemanha Nazista, levando ao acordo que estabeleceu a instalação das tropas estado unidenses para proteção da ilha. Após a guerra, as bases continuaram no território e a Dinamarca aderiu à OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
Alguns fatores contribuem para que a ilha seja vista como estratégica para incorporação ao território americano. Um deles está relacionado à posição geográfica, já que a Groenlândia se encontra na rota mais curta entre a América do Norte e a Europa, o que pode representar vantagem militar em cenários de disputa internacional.
Outro ponto é o potencial de exploração de minerais de terras raras. Esses minerais, embora estejam distribuídos em diferentes partes do mundo, costumam aparecer em concentrações reduzidas. No caso da Groenlândia, há registros de reservas de recursos que estão na “lista de essenciais” para os Estados Unidos. Entre eles o ouro, platina, urânio, zinco, chumbo, carvão, minério de ferro e molibdênio.

Relações estremecidas
A invasão de um território para anexação é uma ação que quebra os direitos internacionais e acabaria potencialmente com a OTAN, já que fere o seu Artigo 5º (cláusula de defesa mútua).
Michael McCaul, deputado do Texas e ex-presidente das Comissões de Relações Exteriores e Segurança Interna da Câmara, deu seu depoimento ao programa “This Week”.
“O presidente tem acesso militar irrestrito à Groenlândia para nos proteger de qualquer ameaça. Então, se ele quiser comprar a Groenlândia, isso é uma coisa. Mas invadi-la militarmente seria subverter completamente o Artigo 5 da Otan e, essencialmente, nos colocaria em guerra com a própria Otan”
Segundo Donald Trump, ainda existe a possibilidade de acordo com a Dinamarca. O presidente vêm impondo pressão mediante uma tarifa de 10% sobre “todos e quaisquer produtos” da Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, que entrará em vigor a partir do dia 01 de fevereiro, e que poderá chegar a 25% em 1º de junho se nenhum acordo for firmado.
Trump ainda tenta negociar a compra do território, mas ja avisou que se não houver acordo, fará “do jeito difícil”. No entanto, não cabe ao presidente americano comprar territórios, segundo a constituição do país, mas ao congresso norte-americano.
Caso o país quebre sua relação com a OTAN, poderá ter suas bases militares fechadas em países europeus e ficaria isolado na proteção à Groenlândia.

Donald Trump propõe um aumento de 50% em orçamento de defesa para o ano de 2027, um aumento de R$ 1,5 trilhão que pode levar o orçamento total a R$ 8,2 trilhões. Esse valor supera o PIB de países como Argentina, Suíça e até Indonésia.
