Favoritos tropeçam e Olimpíada de Inverno 2026 vira palco de zebras históricas
Queda no índice de confirmações ao ouro expõe uma edição marcada por frustrações inesperadas na Itália; onde estatísticas históricas são quebradas
Uma edição dos Jogos Olímpicos de Inverno costuma ser lembrada por cenas de excelência técnica, saltos milimétricos e descidas que desafiam qualquer limite humano. Em 2026, na Itália, esses momentos continuam existindo, mas dividem espaço com lágrimas, expressões incrédulas e despedidas silenciosas de atletas que chegaram como amplos favoritos e saíram sem o ouro.
A atual edição tem sido marcada por resultados que fogem às previsões mais consolidadas. Estrelas consagradas e líderes de ranking viram o favoritismo escorrer pela neve. Ilia Malinin, Atle Lie McGrath, Marco Odermatt, William Dandjinou e Nika Prevc são alguns dos nomes que desembarcaram com status de campeões quase certos, mas não conseguiram confirmar as projeções.
Números mostram queda acentuada nas confirmações
Surpresas sempre fizeram parte do espírito olímpico. No entanto, os dados indicam que 2026 está acima da média no quesito imprevisibilidade. Desde os Jogos de Verão de 2008, um tradicional blog especializado realiza projeções prévias de medalhas apontando os prováveis campeões de cada prova. Considerando edições de verão e inverno, a média histórica de confirmação dos favoritos ao ouro é de 43%.
Na última edição de Inverno, realizada em 2022, 42% dos atletas apontados como principais candidatos ao título cumpriram as expectativas. Em 2026, até o momento, o índice caiu para 31%, um recuo significativo em comparação às estatísticas anteriores.
Outro levantamento reforça o cenário atípico. A revista norte-americana Sports Illustrated projetou os favoritos ao ouro antes do início das competições. Segundo o veículo, apenas 27% dos atletas indicados como campeões confirmaram o favoritismo até agora, número ainda mais baixo do que o registrado nas análises independentes.
Quedas inesperadas e frustrações individuais
Entre os casos mais emblemáticos está o de Ilia Malinin. Apontado de forma praticamente unânime como imbatível na patinação artística, o norte-americano apresentou uma série com falhas incomuns e terminou apenas na oitava colocação, fora até mesmo do pódio. A frustração foi visível após o resultado, em um dos episódios mais surpreendentes da modalidade nos últimos anos.
No esqui alpino, o norueguês Atle Lie McGrath liderava o ranking mundial e se aproximava do ouro quando cometeu um erro decisivo na segunda descida. O deslize custou o título e resultou em uma reação simbólica: o atleta deixou a área de chegada caminhando sem rumo, refletindo o peso da oportunidade perdida.
Atle Lie McGrath (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Christian Petersen)
Também no esqui alpino, Marco Odermatt era apontado como favorito a três ouros individuais e um por equipes. Ao fim de suas provas, acumulou duas medalhas de prata e um bronze, desempenho relevante, mas distante das expectativas criadas antes da abertura dos Jogos.
Na patinação de velocidade, William Dandjinou ficou fora do pódio nas provas dos 1000m e 1500m, ambas nas quais figurava como principal candidato ao título. Ainda resta a disputa dos 500m como possibilidade de recuperação.
Já no salto de esqui feminino, Nika Prevc chegou credenciada como campeã mundial nas duas provas individuais. Na Itália, conquistou ouro por equipes, além de uma prata e um bronze nas disputas individuais, resultado expressivo, mas abaixo da expectativa de domínio absoluto.
Nika Prevc (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Tom Weller)
Até o momento, 74 das 116 medalhas de ouro já foram distribuídas. Ainda há cerca de um terço das provas a serem realizadas, o que mantém abertas as chances de reviravolta. Mesmo assim, o panorama atual aponta para uma edição em que a imprevisibilidade se sobrepõe ao favoritismo, reforçando que, nos Jogos Olímpicos, nem mesmo os prognósticos mais sólidos são garantia de vitória.
