Prada chama atenção com sapatos inusitados na coleção de outono/inverno 2026 na Semana de Moda em Milão
Desfile feminino da temporada outono/inverno 2026 coloca os calçados no centro da narrativa e explora bordados com aparência envelhecida
Na Milan Fashion Week, a Prada apresentou calçados com bordados intencionais, aparência envelhecida e marcas do tempo, explorando os extremos entre o belo e o estranho na coleção de inverno 2026, reforçou uma das principais assinaturas da marca: transformar o inesperado em desejo. Na passarela, os calçados assumiram protagonismo ao equilibrar delicadeza clássica e intervenções contemporâneas, em uma narrativa que discutiu a própria ideia de temporalidade na moda.
Entre saltos baixos ricamente trabalhados, botas exuberantes e sapatos de aparência propositalmente desgastada, a grife italiana apresentou uma proposta que dialoga com passado, presente e futuro. A coleção, guiada pela visão provocadora de Miuccia Prada, voltou a tensionar os limites entre o belo e o estranho território onde a marca construiu sua identidade ao longo das décadas.
Coleção de inverno de 2026
A proposta da Prada para o inverno de 2026 está no limiar entre tempo e memória. Miuccia Prada, codiretora da marca, trouxe às passarelas da Milan Fashion Week a perspectiva da temporalidade. Aspectos imperfeitos e desgastados foram destaques do desfile, ao propor a nova coleção com calçados propositalmente com aparência envelhecida. Isso também reforçou os extremos entre beleza e estranheza, pilares fundamentais da moda contemporânea, ao sugerir que o belo está direcionado aos padrões impostos, enquanto tudo aquilo que foge deles é considerado estranho.
Na coleção de inverno de 2026, a grife apresentou calçados de visual fora do comum, como kitten heels com salto gatinho, bordados e penas. As botas também foram destaques: cano alto, plumas, fivelas e bicos alongados estiveram muito presentes no desfile. Os oxfords ganharam visual envelhecido de forma proposital pela marca. A coleção foi marcada por texturas desgastadas, materiais e composições inusitadas dos calçados, além de tratamentos que simulam o uso, reforçando uma estética que transforma o imperfeito em elemento de desejo.

Bota de penas e amarrações coleção Prada inverno 2026 (Foto: reprodução/Instragram/@voguebrasil)
Os limites do belo e do estranho na passarela
Ao propor um visual propositalmente gasto para os calçados da coleção, a Prada provoca reflexões sobre o que pode ou não ser considerado belo dentro da alta moda. Representada em semanas de moda internacionais, como a Milan Fashion Week, a moda de luxo se afasta da noção de beleza convencional ao valorizar o estranhamento e a ruptura com padrões estéticos. Esse tipo de abordagem não é novidade no histórico da marca, conhecida por inserir “surpresas fashionistas” em seus desfiles e desafiar expectativas a cada temporada.
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Botas e kitten heels são destaques da Prada inverno 2026 (Foto: reprodução/Instagram/@stealthelook)
Além do aspecto visual considerado estranho à primeira vista, a temporalidade também se destaca como um dos principais conceitos da coleção. Ao tratar a moda como uma forma de narrativa, a Prada propõe peças que carregam marcas simbólicas do tempo, reforçando a ideia de que o vestuário pode contar histórias e provocar interpretações, em vez de apenas seguir padrões estéticos estabelecidos e visuais elegantes.
