Roberto Cavalli foge de inovações e transforma o desfile da Semana de Moda em Milão em um multiverso pop

Coleção equilibra sensualidade, excesso e referências ao universo musical feminino em sequência de looks que alternam força e delicadeza

27 fev, 2026
Desfile de Roberto Cavalli | Reprodução/Instagram/@roberto_cavalli
Desfile de Roberto Cavalli | Reprodução/Instagram/@roberto_cavalli

O desfile da Roberto Cavalli começou com impacto imediato. A primeira modelo cruzou a passarela com olhar firme e passos decididos, vestindo um blazer de couro de ombros marcados, combinado a uma calça ajustada do mesmo material e um sutiã coberto por cristais. A imagem sintetizava a proposta central da coleção: poder, brilho e presença.

Na sequência, uma saia plissada em couro apareceu acompanhada de uma jaqueta glossy. Novamente, a parte superior não assumia o protagonismo sozinha, o conjunto funcionava como unidade. A roupa parecia construída para que cada elemento sustentasse o outro, sem hierarquias óbvias, mas com uma narrativa clara de força e sensualidade.

Looks e texturas conhecidas

Nas primeiras modelos do desfile de outono/inverno, Roberto Cavalli deixou clara sua mensagem. Não se trata de uma disputa entre cada figurino, pois eles se sustentam por si só. Seja um blazer de couro com ombros largos ou uma saia plissada, cada peça tem seu brilho.

A pegada gótica e festiva foi vista facilmente nas passarelas de Milão. Texturas conhecidas tomaram conta do desfile, com rendas, couros, tules, saias plissadas, transparências e, claro, o animal print. É uma coleção que vai do sexy ao romântico, passa pelo casual, moderno e chega até um dramático urbano. Mas, é claro que, se tratando da marca, os couros clássicos e atemporais aparecem em calças, blazers e jaquetas. Detalhes em pelos também foram estrelas da noite.


Desfile Roberto Cavalli Milão 2026 (Vídeo: reprodução/Instagram/@roberto_cavalli)


Pouca inovação, missão cumprida e entrega bem feita

Fausto Puglisi não pesou a mão na criatividade e poupou Roberto Cavalli de exageros nas passarelas. A produção de moda desta temporada se mostra mais fácil de circular fora delas, com looks sem exageros, grandes provocações ou impactos, mas com figurinos fáceis de imaginar em uma diva do pop.

Ainda assim, a marca entregou e cumpriu sua missão nas passarelas. Seria um básico bem feito? Bem feito, sim mas básico, jamais. A ousadia aparece ao levar à passarela quase exclusivamente vestidos pretos, que surgem com estampas florais em lilás e rosa, explorando cortes e modelagens variadas e dialogando com diferentes estilos e composições. Além disso, a produção de beleza das modelos voltou-se a um visual entre os cohecidos cabelos lambidos e volumes de cabelos naturais, assim como a maquiagem. 

Mesmo com uma proposta de baixa inovação, a marca cumpriu seu papel na Milan Fashion Week e, assim como no multiverso pop, nem sempre é preciso reinventar tudo para cumprir a missão.


Roberto Cavalli foge de inovações e transforma o desfile da Semana de Moda em Milão em um multiverso pop

Estampas florais lilás e rosa no desfile Roberto Cavalli (Fotos: reprodução/Instagram/@hylentino)


Sob direção criativa de Fausto Puglisi, a grife demonstra domínio sobre sua própria linguagem. O estilista não busca reinventar completamente a roda, mas entende como fazê-la girar com eficiência. Assim como no pop, nem sempre é preciso criar algo inédito para gerar impacto; às vezes, basta combinar os elementos certos, no ritmo certo.

O resultado é uma coleção que talvez não mude os rumos da moda, mas cumpre com excelência o papel de encantar. É visualmente prazerosa, carregada de atitude e pensada para mulheres que desejam ocupar espaço. No fim das contas, moda e música compartilham essa mesma lógica: quando a batida é boa, ninguém questiona apenas sente e acompanha o movimento.

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