Banco Master teria repassado dinheiro para filme de Bolsonaro

Empresa Entre Investimentos teria intermediado cerca de 160 milhões de reais enviados de Daniel Vorcaro para a produção sobre ex-presidente

14 maio, 2026
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro/@revistaatualnews
Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro/@revistaatualnews

Fundos investigados pela Polícia Federal, na participação de fraude do Banco Master, teriam repassado quase 160 milhões de reais para a Entre Investimentos, responsável por mandar o dinheiro de Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse, que vai contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação se dá pela divulgação de mensagens de cobrança de pagamentos entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro, feita nesta quarta-feira pela Intercept Brasil.

Relação com o filme

Segundo relatórios de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que analisou movimentações do Banco Master, o acordo previa pagamentos de R$124 milhões, sendo R$61 milhões quitados pelo empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, sem a confirmação da divisão entre produção e empresas. A divulgação feita pela Intercept revelou um áudio em que o senador Flávio Bolsonaro cobra de Vorcaro pagamentos relacionados ao filme sobre seu pai, sendo parte desses repasses feitos por meio da Entre Investimentos. 


Jair Bolsonaro, que terá sua história contada no filme Dark Horse (Foto: reprodução/Evaristo Sa/Getty Images Embed)


A companhia aparece em conversas entre Vorcaro e seu cunhado, sobre os repasses referentes ao filme, porém, a ponte entre o ex-banqueiro e o político teria sido feita por Thiago Miranda, como aponta a entrevista dele para a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo. Ele ainda afirma que os pagamentos foram interrompidos após a crise envolvendo o Banco Master e disse que a participação de Vorcaro no projeto não seria divulgada publicamente.

Transferências e conexões suspeitas

A Entre Investimentos integra o grupo Entrepay, de Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como “Mineiro”. A empresa foi liquidada pelo Banco Central em março deste ano devido ao agravamento de sua situação financeira, além de irregularidades regulatórias e riscos aos credores.

Segundo os relatórios, a maior parte dos recursos recebidos pela Entre, cerca de R$139,2 milhões, veio da Sefer Investimentos, alvo de operação da PF por ligações com Vorcaro. Outros R$20 milhões foram enviados pelo fundo Gold Style, administrado pela Reag, também associada ao banqueiro.

O fundo Dublin, ligado à Sefer, transferiu mais R$154,2 milhões à empresa. Já a Inovanti Bank, mencionada em investigações sobre movimentações financeiras atribuídas ao PCC, repassou R$35,7 milhões à Entre Investimentos, que, por sua vez, R$87,7 milhões para a RMD Instituição de Pagamento, antiga RMD Administração Empresarial, também investigada por suposta atuação financeira em benefício da facção criminosa.

O que é a Entrepay

Fundada em 2022, a Entrepay Instituição de Pagamento atua no setor de tecnologia financeira, oferecendo infraestrutura para processamento de pagamentos com cartão e integração entre lojistas, bancos e bandeiras. A empresa, sediada em São Paulo, também mantém uma plataforma voltada a desenvolvedores para ampliar sua atuação no mercado digital.

A companhia integra o Grupo Entre, conglomerado criado em 2016 que reúne empresas de tecnologia e serviços financeiros. O grupo afirma possuir 26 empresas e cerca de 700 funcionários, tendo expandido suas operações por meio da aquisição de negócios ligados a meios de pagamento e crédito. Em 2022, incorporou a operação brasileira da Global Payments, dando origem à Entrepay. 


 

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Caso da Entrepay (Vídeo: reprodução/ Instagram/ @neofeedbrasil)


Nos últimos meses, a empresa passou a enfrentar críticas após relatos de comerciantes sobre atrasos nos repasses de vendas realizadas por maquininhas. Ela também aparece em investigações analisadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Em um dos processos, a autarquia rejeitou um acordo de aproximadamente R$21,3 milhões proposto por empresas e executivos ligados à Entre Investimentos, ao Banco Master e à Viking Participações. O caso envolve suspeitas de fraudes com cotas de fundos imobiliários e será mantido pela Comissão.

Em nota, o Grupo Entre informou que já conduzia um processo estruturado de encerramento gradual das operações da Entrepay, antes mesmo da liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. Segundo a empresa, o objetivo era concluir as atividades de forma organizada, preservando o funcionamento dos serviços e o cumprimento das obrigações com clientes e parceiros. Apesar do caso, o grupo afirma ainda colaborar integralmente com as autoridades e acompanha o processo pelos canais institucionais, buscando reduzir os impactos da liquidação.

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