Investigação aponta uso do Telegram por grupos extremistas para organizar ataques em Brasília
Polícia Civil revela que extremistas usavam o Telegram para difundir ódio, recrutar membros e planejar atentados contra prédios públicos em Brasília
Investigação da Polícia Civil do Distrito Federal, realizada com apoio do Ministério da Justiça e do laboratório Ciberlab, identificou que grupos extremistas utilizavam o Telegram para planejar ataques contra prédios públicos em Brasília. De acordo com a apuração revelada neste domingo (10) pelo “Fantástico” da Tv Globo, os investigados compartilhavam plantas do Palácio do Planalto, mapas do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal (STF), além de conteúdos com orientações para a fabricação de explosivos e coquetéis Molotov.
Telegram era de encontro
As investigações apontaram que as reuniões aconteciam em grupos no Telegram e que existia dentro da plataforma diferentes níveis de atuação. Um grupo com mais de 600 participantes era utilizado para a divulgação de ideologias extremistas, incluindo conteúdos neonazistas, homofóbicos e misóginos. Paralelamente, um núcleo menor, composto por 46 integrantes, concentrava discussões estratégicas e orientações voltadas à execução dos ataques.
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Grupo planejava ataque pelo Telegram (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)
Além do discurso de ódio, os integrantes trocavam informações sobre a fabricação de explosivos e artefatos incendiários. As conversas incluíam estimativas de custos e cálculos sobre a quantidade de insumos necessários. A investigação ainda revelou que o grupo tinha capaciade de produzir mais de três granadas por participante e que os administradores buscavam membros que demonstrassem disposição de se matar em nome da ideologia.
Prédios públicos eram os principais alvos
O grupo tinham como principal meta realizar ataques contra edifícios públicos em Brasília, com atenção especial ao Palácio do Planalto. Durante as conversas, foram compartilhados mapas de órgãos federais, incluindo o Congresso Nacional e o STF, além de documentos com detalhes da estrutura do palácio. Os participantes também discutiam rotas de acesso e saída dos locais alvos.
De acordo a Polícia Civil, o objetivo das ações ia além de causar danos materiais. A avaliação dos investigadores é que os suspeitos pretendiam usar um eventual ataque em Brasília como forma de demonstrar força e difundir uma mensagem de caráter antidemocrático. “As discussões monitoradas revelaram uma defesa de ideias radicais, como a promoção de uma suposta revolução e o fim das estruturas estatais”, pontua o relatório entregue ao Ministério da Justiça.
Como o grupo recrutava membros
Ainda de acordo com a investigação, o recrutamento era feito em etapas. Primeiro, administradores observavam quem se destacava nos debates ideológicos em grupos abertos. Em seguida, esses usuários eram convidados para canais menores e mais restritos.
Nesses espaços, os administradores avaliavam o grau de engajamento e a disposição para participar de ações violentas. Apenas os mais radicais avançavam para os núcleos estratégicos, onde recebiam instruções detalhadas. O objetivo era garantir que novos integrantes não apenas compartilhassem a ideologia, mas também estivessem prontos para executá-la a qualquer custo.
