Travis Barker relembra sobrevivência a queda de avião e revela sua trajetória em documentário
Baterista do Blink-182 lança ‘Louder Than Fear’ amanhã, mostrando a jornada desde o acidente de 2008, mais de 20 cirurgias e o primeiro voo em quase duas décadas
O documentário ‘Travis Barker: Louder Than Fear’ chega amanhã ao Hulu trazendo a história de vida do baterista do Blink-182, aos 50 anos. A produção aborda desde a infância rigorosa na Califórnia até o acidente aéreo de 2008 que matou quatro das seis pessoas a bordo, passando pela recuperação através de mais de 20 cirurgias, o casamento com Kourtney Kardashian e o marco de voltar a voar após quase 20 anos sem pisar em um aeroporto. O projeto levou uma década para ser finalizado.
A carreira e o instrumento
Travis Barker construiu sua reputação como um dos bateristas mais reconhecíveis da música moderna. Formado em jazz e bandas marciais em Fontana, Califórnia, ele trabalhou em projetos que abrangem ska, country, pop-punk e rap-rock. Suas colaborações incluem o Blink-182 e o Transplants, bandas que o consolidaram como figura central do cenário alternativo.
O seu estilo à bateria sempre foi marcado pela intensidade. Em entrevista ao Popcast do New York Times, ele reflete sobre essa abordagem:
“Acho que cicatrizes são legais. Nunca saí de um show com as mãos em frangalhos pensando: ‘Queria não ter tocado com tanta força hoje à noite.'”
Para Barker, o instrumento funciona como extensão de sua identidade. A bateria nunca foi prejudicada pelo cansaço ou pela força com que a tocava. Essa relação define sua carreira desde o início.
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Travis Barker (Foto: reprodução/Instagram/@vans)
O acidente que transformou tudo
Em 2008, Barker sobreviveu a um acidente aéreo que ceifou a vida de quatro pessoas a bordo, incluindo amigos próximos. O impacto foi devastador: ele passou por mais de 20 cirurgias e enfrentou uma recuperação física e psicológica prolongada. O trauma foi tão profundo que Barker evitou aeroportos por quase 20 anos, recusando-se até a ficar em hotéis próximos a terminais aéreos.
Durante a produção do documentário, em 2017, o projeto foi pausado porque Barker se recusava a filmar em espaços ligados a aeroportos. Seus filhos mais velhos, Landon e Alabama, cresceram com essa realidade. Tinham apenas 3 e 5 anos quando o acidente aconteceu e, desde então, nunca mais voaram. Eles eram protetores com o pai, implorando para que não entrasse em um avião.
Acidente Travis Barker (Vídeo: reprodução/YouTube/@avioesemusicas)
Processo de cura e superação
A recuperação de Barker não foi rápida. Ele adotou uma rotina rigorosa: corridas, exercícios de respiração focados e trabalho com massoterapeuta e especialista em traumas. A sobriedade foi fundamental nesse processo. Sobre sua dedicação, ele relata ao Popcast:
“É por isso que treino, é por isso que corro, é por isso que pratico boxe e é por isso que faço as coisas que faço, porque quero ser capaz de tocar do jeito que quero tocar.”
O ponto de virada veio quando um fã sugeriu técnicas específicas de respiração. Nas primeiras sessões, Barker chorou intensamente. Após cinco encontros, sentiu progresso concreto e ganhou motivação para tentar voar novamente. Pediu à esposa Kourtney que não avisasse com antecedência. Na noite anterior ao voo, praticou exercícios de respiração e conseguiu voar com uma experiência positiva. O documentário encerra com essa nota de renascimento, mostrando como Barker quis que seus filhos compreendessem ser possível quebrar o ciclo do medo através do seu exemplo pessoal.
A bateria como catarse
Durante a filmagem, o diretor solicitou que Barker tocasse um solo de bateria durante as cenas que abordam o acidente. Barker foi levado a um galpão iluminado com fogo e improvisou dois solos intensos, canalizando emoção bruta através do instrumento. Ele descreveu a experiência como catártica e libertadora.
Após os solos, Barker sentiu ter liberado algo profundo. Comparou a sensação com a de um lutador de MMA que nocauteia o oponente. Saiu direto após terminar, ainda em êxtase. Toda a energia do trauma, recuperação e esperança passou pela bateria.
Vida com Kourtney Kardashian e a família
Barker é casado com Kourtney Kardashian e integra agora o elenco do reality show ‘The Kardashians’. Sobre sua participação no programa, ele afirma ao Popcast:
“Nem percebo que estou no programa. Acho que a melhor maneira de lidar com coisas assim, ou de participar delas, é não ficar pensando que estou sendo filmado ou que algo diferente está acontecendo.”
Descreve-se como coadjuvante na série. Não assiste aos episódios nem aprova todos, mas ama sua esposa e sua família. O documentário mostra a jornada do casal para ter um filho biológico. Kourtney sofreu um aborto espontâneo e depois passaram por uma fertilização in vitro sem sucesso antes de uma gravidez natural. Rocky, filho deles, tem 2 anos.
Sobre o documentário, Barker comenta:
“Sou um coadjuvante. Mas o programa não foi um processo de aprendizado para me abrir. O que me ajudou a lançar o doc foi conseguir superar as grandes questões que tinham poder sobre mim.”
Paternidade e o exemplo pessoal
Barker é pai de sete filhos de diferentes relacionamentos. Landon e Alabama são populares na internet, o que o leva a conversar com eles sobre a exposição online. Quando Landon foi convidado para participar de ‘The Voice’, o pai respondeu que o filho era “estiloso demais para isso”, questionando-se se até Kurt Cobain participaria de um programa assim.
Barker é cuidadoso em relação à exposição digital dos filhos. Eles ocasionalmente enfrentam confusão nas redes sociais, e o pai oferece seu próprio exemplo como lição. Antigamente, quase brigava com paparazzi. Agora pensa diferente, vendo tudo como ruído e continuando seu caminho. Não se orgulha de ter perdido a cabeça com fotógrafos ou reagido com confronto.
Ensina aos filhos a não se preocuparem com críticas online, orientando-os a seguirem o caminho que estão trilhando. O exemplo pessoal permanece sua ferramenta de ensino mais poderosa.
