Célula cerebral mostra potencial proteção contra Alzheimer

Pesquisadores mapearam como microglia e macrófagos perivasculares mudam durante o envelhecimento e o avanço do Alzheimer no cérebro humano

13 ago, 2026
Exame de Alzheimer | Reprodução/X/@HedixBR
Exame de Alzheimer | Reprodução/X/@HedixBR

As células imunes do cérebro podem ter um grande potencial na proteção dos danos provocados pelo Alzheimer. Um estudo publicado na “Nature Genetics”, uma das revistas científicas mais conceituadas do mundo, aponta que essas células se modificam no decorrer da doença e do próprio envelhecimento do cérebro e que algumas delas podem também desempenhar um papel de proteção.

Sobre o estudo

O estudo foi realizado por pesquisadores da Icahn School of Medicine at Mount Sinai e analisou quase 1 milhão de células imunes cerebrais chamadas mieloides, que se originam na medula óssea e terminam no sistema nervoso. Dentre as células analisadas, duas ganharam certo destaque: a micróglia, que é a principal célula de defesa do cérebro, e os macrófagos perivasculares, responsáveis pela regulação da resposta imunológica no sistema nervoso.


Comparação de cérebro saudável x com Alzheimer (Foto: Reprodução/X/@jesus_osorior)


Foram 1.607 doadores de células, obtidas do córtex pré-frontal de voluntários de variadas faixas etárias e com diversos graus de demência associada ao Alzheimer. A análise foi um mapeamento que possibilitou a identificação de seis subclasses, formadas por 13 subtipos de células imunes. Com o estudo, foi possível avaliar e acompanhar o crescimento ou decréscimo das populações celulares, ou seja, seu comportamento ao longo do envelhecimento e do avanço da doença.

Aumento do número de células

Os pesquisadores identificaram um subtipo de micróglia, célula de defesa do cérebro, que fica mais abundante à medida que a doença também progride. Entretanto, o aumento da célula não está associado ao aumento dos danos cerebrais; pelo contrário, as células aumentam a capacidade do cérebro de descartar materiais considerados nocivos, exercendo, assim, uma atividade protetora.

Donghoon Lee, professor assistente de Genética e Ciências Genômicas e de Psiquiatria da universidade que realizou a pesquisa, afirmou: “Nosso estudo fornece a visão mais clara até o momento de como as células imunológicas do cérebro se adaptam durante o envelhecimento e a doença de Alzheimer”.


Casal de idosos (Foto: Reprodução/X/@eaivica)


Os pesquisadores acreditam que o mapeamento abre possibilidade para desenvolver novos tratamentos que tenham como objetivo o fortalecimento do sistema imunológico do cérebro, em vez de aplicar somente o tradicional tratamento de estratégia terapêutica nas placas de proteína amiloide.

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