Marido de Giulia Be é alvo de ordem de prisão na Rússia por suposta atuação como mercenário na Ucrânia

Advogado americano de 31 anos, sobrinho-neto de John F. Kennedy e casado com a cantora brasileira, foi inscrito em rol internacional de procurados por integrar a Legião Internacional ucraniana

13 ago, 2026
Giulia Be e Conor Kenedy | Reprodução/Instagram/@giulia
Giulia Be e Conor Kenedy | Reprodução/Instagram/@giulia

Um tribunal de Moscou autorizou a prisão à revelia de Conor Kennedy, de 31 anos, acusado de participar como mercenário nas operações das Forças Armadas da Ucrânia. Americano e sobrinho-neto do ex-presidente John F. Kennedy, Kennedy é casado com a cantora brasileira Giulia Be. A decisão foi proferida pelo Tribunal Distrital de Basmanny e o americano agora integra a lista internacional de procurados, conforme informou a agência russa Tass.

A defesa acionou instâncias superiores contra a sentença, mas o tribunal de segundo grau manteve a determinação em julgamento realizado sob sigilo. Conforme a base de dados do Tribunal Municipal de Moscou, a decisão de primeira instância foi considerada legal e o pedido do órgão investigador “deve ser atendido”.

O crime segundo a lei russa

Kennedy responde conforme a parte 3 do artigo 353 do Código Penal da Federação Russa, dispositivo que aborda a participação de mercenários em conflitos armados ou operações militares. A sentença prevê pena de sete a dez anos de prisão caso condenado.

Participação na Ucrânia e relato pessoal

Em outubro de 2022, Kennedy regressou da Ucrânia após combater na região de Kharkiv integrado à Legião Internacional. Em suas redes sociais, divulgou detalhes sobre a decisão e a experiência.

Em postagem datada de 14 de outubro de 2022, Kennedy explicou que antecipou a publicação porque sabia que o envolvimento viria à tona. Afirmou que queria “dar minha versão primeiro, para tirar o melhor proveito disso e incentivar outras pessoas a agir”.

Segundo seu relato, a motivação partiu de uma reação emocional aos eventos na Ucrânia. “Como muitas pessoas, fiquei profundamente comovido com o que vi acontecer na Ucrânia no último ano. Eu queria ajudar. Quando soube da Legião Internacional da Ucrânia, soube que iria e, no dia seguinte, fui à embaixada para me alistar”, escreveu na ocasião.

Durante o período na Ucrânia, manteve sua participação reservada. Contou a apenas uma pessoa onde estava e revelou seu nome real a apenas outra. “Contei a uma pessoa aqui onde eu estava e contei a uma pessoa lá meu nome verdadeiro. Não queria que minha família ou meus amigos se preocupassem e não queria ser tratado de maneira diferente lá”, relatou Kennedy.

Sem experiência em combate e sem habilidades de atirador, Kennedy descreveu suas capacidades como a de carregar materiais pesados e facilidade para aprender. Destacou gosto pela vida militar. “Meu tempo na Ucrânia não foi longo, mas vi muita coisa e senti muita coisa. Gostei de ser soldado, mais do que esperava. É assustador. Mas a vida é simples, e as recompensas por encontrar coragem e fazer o bem são enormes”, afirmou.


 

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Conor Kennedy (Foto: reprodução/Instagram/@jconorkennedy)


Outros integrantes da Legião em situação semelhante

O tribunal russo proferiu decisões análogas contra diversos combatentes estrangeiros. Tribunais russos autorizaram prisão à revelia e incluiram na lista internacional de procurados: Ingram Asbill Tracy James, 37 anos (apelido Mickey); Shorny Joseph Richard Ryan, britânico (apelido Jax); Carolina Nordengrip, 46 anos, sueca (apelido Alex); Karel Cherel-Salzburg, desertor para a França (apelido Cris); Nenad Arsic, sérvio; Jan Trcka, 39 anos, tcheco; Akaki Murachashvili, georgiano; Oleg Kolevatov, 32 anos, estoniano; e Ramirez Ivan Tiku Dario, 38 anos, colombiano.

Trajetória e vida pessoal

Filho de Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, Kennedy é formado em história, literatura, energia e meio ambiente. Atua como advogado e se dedica a causas ambientais, mantendo presença discreta nas redes sociais.

Em 2012, ganhou atenção da imprensa internacional por um relacionamento com a cantora Taylor Swift. Alguns fãs da artista associam Kennedy à inspiração para a música “Begin Again”.

Antecedentes de Kennedy incluem uma detenção em 2013 durante protesto por desobediência civil e um incidente em 2016 após uma briga em bar, quando intervinha para defender um amigo alvo de ataques homofóbicos.

De 2021 em diante, mantém relacionamento com Giulia Be. Os dois se conheceram virtualmente naquele ano, quando ela gravava um filme no Brasil e ele finalizava pós-graduação nos Estados Unidos. Trocaram mensagens durante cinco meses antes de encontro presencial.

O pedido de namoro ocorreu em 2022. Em agosto de 2025, Kennedy a pediu em casamento. Os dois coabitam desde o dia do noivado. A cerimônia oficializou a união em 23 de março de 2026 em Los Angeles, com presença restrita a familiares.

Celebrações religiosas estão previstas para 10 de outubro de 2026 na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Rio de Janeiro, e para 29 de novembro, quando reunirão amigos e familiares.

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