Buzeira consegue habeas corpus e deve deixar a prisão após 10 meses detido
Advogado Eugênio Malavasi confirmou duas ordens concedidas; STJ havia negado pedido semelhante em junho
Bruno Alexssander Souza Silva, conhecido como Buzeira, deixará a cadeia após a Justiça aprovar um pedido de habeas corpus. Preso desde outubro de 2025 na Operação Narco Bet, que apura lavagem de dinheiro ligada ao tráfico internacional do Primeiro Comando da Capital (PCC), o influenciador teve sua libertação confirmada pela defesa na segunda-feira, 17 de agosto.
O advogado Eugênio Malavasi anunciou a aprovação das duas ordens de habeas corpus. “A defesa de Buzeira vem a público informar a concessão de duas ordens de habeas corpus impetradas por este que vos fala e pelo meu sócio, Lucas Ruivo, para restabelecimento da liberdade do Buzeira”, disse o advogado, em vídeo publicado no Instagram. A notícia foi celebrada pela esposa de Buzeira, Hillary Yamashiro, que postou nas redes sociais: “Liberdadeeee! Obrigada, Jesus”.
Jornada processual
A defesa já havia tentado obter a soltura do influenciador antes desta aprovação. Em junho de 2026, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) recusou um habeas corpus anterior. Os advogados argumentam que a prisão é ilegal e sustentam que não existem evidências de participação direta de Buzeira no esquema que está sendo investigado. Também defendem que sua liberdade não oferece risco à condução do processo.
A Quinta Turma do Tribunal Regional Federal da 3.ª Região (TRF-3) ordenou a soltura de Buzeira e de Rodrigo de Paula Morgado, identificando excesso de prazo na prisão preventiva. Os dois estavam encarcerados desde outubro de 2025. A decisão foi emitida em 17 de agosto de 2026 e considerou desnecessário manter a prisão preventiva.
Caso do influenciador Buzeira (Vídeo: reprodução/YouTube/Planeta Novo)
Investigação e apreensões
Segundo apurado pela Polícia Federal, Buzeira recebeu R$ 19,7 milhões de Rodrigo Morgado, investigado por transportar três toneladas de cocaína até a Europa. Os depósitos foram feitos em conta da empresa Buzeira Digital, e o dinheiro era procedente de uma organização criminosa coordenada por Morgado.
Operações de busca na residência de Buzeira, em condomínio de alto padrão localizado em Igaratá (SP), resultaram na apreensão de fuzis, pistolas, revólveres, munições, carregadores, radiocomunicadores e roupas de uso tático guardadas em compartimentos. A mesma busca levou ao achado de duas pedras brutas suspeitas de serem esmeraldas avaliadas em R$ 1,7 bilhão.
O esquema de lavagem funcionava por meio de apostas e rifas on-line disfarçadas de promoções e sorteios. Buzeira atuava como um dos personagens públicos para emprestar legitimidade aos recursos ilícitos da organização sob investigação.
A operação também engloba o veleiro Lobo IV, apreendido em fevereiro de 2023 pela Guarda Costeira dos Estados Unidos próximo à costa africana transportando três toneladas de cocaína.
Buzeira permanece investigado e sujeito às restrições judiciais. Ele está proibido de deixar o país e de se comunicar com investigados na operação.
