Vacina adaptada reduz retorno de megaloma, aponta pesquisa
Tratamento experimental desenvolvido por farmacêutica apresentou resultados positivos em pesquisa de fase 3 em mais de mil voluntários
Uma vacina adaptada para o combate ao câncer, criada pelas empresas farmacêuticas Moderna e Merck, apresentou bons resultados durante um estudo clínico de fase 3 contra o melanoma, considerado pela área da saúde como um dos tipos de câncer de pele mais agressivos. O tratamento utiliza uma tecnologia chamada RNA mensageiro (mRNA), a mesma estrutura utilizada em algumas vacinas contra a COVID-19.
A pesquisa analisou cerca de 1.137 pacientes diagnosticados com melanoma de alto risco que já foram submetidos à cirurgia para retirada total do tumor. Os voluntários receberam uma vacina personalizada composta por pembrolizumabe, o medicamento Keytruda.
De acordo com os resultados apresentados pelas farmacêuticas, a composição diminuiu em 49% o risco de recorrência da doença e em 59% a probabilidade de desenvolvimento de metástases, em comparação com o tratamento feito somente com pembrolizumabe.
Vacina foi adaptada para cada paciente
A plataforma conta com informações genéticas do próprio tumor para criar uma vacina personalizada para cada paciente. A intenção é fazer com que o sistema imunológico tenha conhecimento de características presentes nas células cancerígenas e tenha uma maior capacidade de o organismo de se proteger contra elas.

O ensaio clínico, batizado de “instismeran autogene“, é conhecido também pelas identificações mRNA-4157 e v940. O imunizante pode incluir diversas proteínas, neoantígenos ou alterações em células tumorais que podem ser localizadas pelo sistema imunológico.
O planejamento difere das vacinas convencionais usadas na prevenção de doenças infecciosas. Nessa ocasião, a ideia é usar a plataforma como ajuda ao sistema imunológico de pessoas que já foram diagnosticadas com câncer para localizar e combater possíveis células remanescentes.
Resultados ainda estão longe da cura
Mesmo com os resultados indicando progresso, a vacina ainda é considerada como um tratamento-teste para o câncer e não é considerada ainda como uma cura para a doença.
A pesquisa foi feita com pacientes que retiraram o melanoma por meio de cirurgia e apresentavam um alto risco de recidiva. O estudo procura analisar, especialmente, se a composição possui capacidade de diminuir a recorrência e a disseminação do tumor.
Profissionais consideram o avanço importante, mas afirmam que ainda é necessário uma análise completa dos estudos antes de uma avaliação definitiva sobre a eficácia e segurança do tratamento.
