Moraes autoriza visitas de Carlos e Jair Renan a Bolsonaro na prisão domiciliar

Restrição de 30 dias termina e filhos ganham autorização; Flávio segue impedido até encerramento da campanha eleitoral

21 ago, 2026
Jair Bolsonaro |  Reprodução/Instagram/@jairmessiasbolsonaro
Jair Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@jairmessiasbolsonaro

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, liberou nesta sexta-feira (21) que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba em Brasília os filhos Carlos Bolsonaro e Jair Renan Bolsonaro durante o cumprimento de prisão domiciliar. Os encontros respeitarão duas restrições centrais: não poderão ter finalidade político-eleitoral e nem permitir a divulgação de manifestos políticos-eleitorais. Visitas adicionais ficarão sujeitas a autorização prévia do STF.

O senador Flávio Bolsonaro permanece proibido de encontrar o pai. A restrição que impede o candidato à Presidência da República de estar com Bolsonaro se estende até o encerramento das eleições. Os demais filhos, assim, recebem permissão que não abrange o senador fluminense.

A autorização encerra uma proibição de 30 dias que Moraes impôs em 17 de julho. Naquela ocasião, o ministro vetou todas as visitas, mantendo acesso apenas à equipe médica, aos fisioterapeutas e aos advogados. Esse período de restrição terminou e agora a situação muda parcialmente.

Caso da carta política

A suspensão anterior resultou do episódio em que Flávio Bolsonaro publicou a chamada “Carta aos brasileiros”, documento redigido pelo pai. O ato violou restrições que o Supremo estabeleceu para o regime de prisão domiciliar. O incidente levantou preocupações sobre o cumprimento das condições concedidas.

Moraes reforçou em sua ordem a necessidade de observar rigorosamente o que foi determinado judicialmente. Segundo o ministro:

“Ressalte-se que a estrita observância de todas as condições fixadas por lei e pelas decisões judiciais constitui pressuposto para a manutenção do regime de cumprimento atualmente deferido, de modo que eventual descumprimento poderá ensejar a imediata reavaliação do benefício concedido, com a adoção de medidas mais gravosas, inclusive a reversão da prisão domiciliar humanitária em regime fechado”

A defesa de Bolsonaro havia recorrido contra a decisão que proibia encontros com teor eleitoral e circulação de manifestos. O recurso buscava eliminar ou suavizar essas limitações, mas Moraes manteve a autorização dentro das restrições que estabeleceu.


Ex-presidente Jair Bolsonaro (Foto: reprodução/Getty Images Embed/SERGIO LIMA)


Pedido de Milei negado

O ministro também rejeitou um pedido apresentado pela defesa para que o presidente argentino Javier Milei pudesse fazer uma visita ao ex-presidente brasileiro. A solicitação não foi acolhida.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão na trama golpista. O benefício de prisão domiciliar foi concedido com base em seu estado de saúde considerado frágil. A concessão do regime menos rigoroso veio acompanhada de condições severas de cumprimento, das quais o controle sobre visitas é um dos aspectos mais relevantes.

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