Deolane sofre nova derrota nos tribunais e Justiça mantém prisão da influenciadora

Completados 90 dias em custódia preventiva, a advogada e influenciadora segue detida conforme decisão da Operação Vérnix, que apura lavagem de dinheiro na organização criminosa

27 ago, 2026
Deolane Bezerra I Reprodução/Instagram/@deolane
Deolane Bezerra I Reprodução/Instagram/@deolane

O tribunal de São Paulo decidiu preservar a prisão preventiva de Deolane Bezerra e cinco outros réus na Operação Vérnix, que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro vinculado ao PCC (Primeiro Comando da Capital). A decisão, proferida em 21 de agosto de 2026, coincidiu com o marco de 90 dias de detenção de Deolane, que permanece presa desde 21 de maio. O magistrado reavaliou a necessidade da medida após o período determinado e manteve a custódia preventiva.

Na sentença, o juiz ressalta que:

“A manutenção da prisão preventiva impõe-se como providência indeclinável e proporcional à gravidade concreta das condutas imputadas aos acusados”

O tribunal justifica a continuidade da prisão com base em três fundamentos: “garantia da ordem pública, da ordem econômica, por conveniência da instrução criminal e para assegurar a aplicação da lei penal”, conforme documentado pela Justiça de São Paulo.

Núcleos do esquema investigado

O Ministério Público de São Paulo estrutura a investigação em torno de três núcleos distintos dentro da organização. Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola, e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior figurariam no comando do núcleo decisório. A operação também identifica um núcleo de caráter operacional e outro de natureza financeira.

Deolane integra o núcleo financeiro. Conforme a denúncia do Ministério Público, ela é descrita como:

“a principal integrante do núcleo financeiro, verdadeiro caixa da organização criminosa, praticando atos de ocultação e dissimulação de valores de origem ilícita por meio de contas vinculadas a ela ou suas empresas”

A acusação ainda afirma que Deolane converteu valores de origem suspeita em bens de expressivo valor econômico. Entre os seis réus, dois seguem foragidos: Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, ambos sobrinhos de Marcola. A Justiça ordenou que as buscas e ações para sua captura prossigam.


Deolane Bezerra (Vídeo: Reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Posição das defesas

Os advogados de Deolane, entre eles Aury Lopes Jr., receberam a manutenção da prisão com ressalvas. Segundo a defesa:

“A defesa de Deolane Bezerra recebe a decisão de manutenção da prisão preventiva com surpresa, já que a prisão é manifestamente desnecessária, ilegal e desproporcional”

A defesa sustenta a inocência de Deolane e refuta qualquer ligação com organização criminosa. Os advogados argumentam que as movimentações financeiras apontadas pela acusação derivam de negócios lícitos e de honorários profissionais, o que será demonstrado durante a fase probatória do processo. A defesa reitera confiança nas instituições e anuncia o uso de todos os recursos legais disponíveis para resgatar a liberdade de Deolane.

Bruno Ferullo, defensor de Marcola, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior, Paloma Sanches Herbas Camacho e Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, informou que a 3ª Vara Criminal de Presidente Venceslau decidiu pela manutenção das custódias preventivas. O tribunal rejeitou o pedido de revogação ou substituição das medidas. Ferullo comunicou que a defesa de Marcola respeita a decisão judicial, mas mantém posição contrária quanto à necessidade da prisão preventiva, e utilizará os recursos recursais cabíveis para questionar a decisão.

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