Cara Delevingne quebra o silêncio e detalha processo para se manter ‘sã e sóbria’ após overdose
O álbum de 12 faixas, lançado em setembro pela Warner Music, surgiu de três anos de trabalho que a atriz britânica descreve como fundamental para manter a sobriedade após enfrentar problemas com substâncias
Aos 34 anos, Cara Delevingne lançou em 25 de setembro seu primeiro álbum de estúdio, Not Normal, pela Warner Music. A modelo e atriz britânica descreveu o trabalho como uma ferramenta essencial em seu processo de recuperação pessoal, mantendo-a sã e sóbria após uma trajetória marcada por lutas contra o abuso de substâncias.
Em conversa com a revista Elle, Cara revelou o peso investido no projeto. “Estou trabalhando nisso há três anos. É algo em que investi muito tempo e, na verdade, sinto que venho trabalhando nisso a vida toda, porque tudo culminou neste momento”, contou à publicação. O álbum reúne 12 faixas que compilam experiências acumuladas ao longo de muitos anos, funcionando como um diário musical de transformação pessoal.
A criatividade como caminho para a autoaceitação
Durante a entrevista à Elle, Cara detalhou como o processo criativo se entrelaçou com sua jornada de autocompaixão. Ela descreveu o trabalho no estúdio como terapêutico, marcado pela necessidade de reconciliação consigo mesma.
“Eu acreditei em mim mesma e tentei fazer as pazes comigo mesma. Eu era simplesmente muito cruel comigo mesma, e quando você para de se sabotar, é incrível o que você pode alcançar.”
A transformação refletida no álbum começou quando Cara deixou de sabotar a si mesma. Ela ressaltou a importância de aprender durante todo o processo de produção.
“Aprendi muito sobre mim mesmo durante o processo, e também foi algo que me manteve são e sóbria.”
O trabalho com colaboradores que admira intensificou o aspecto curativo da produção. Cara envolveu profissionais que a inspiram, transformando o estúdio em um espaço de cura tanto quanto de criação artística.
A estrutura do álbum e as influências pessoais
As 12 faixas de Not Normal funcionam como um arco narrativo. A primeira e a última música estruturam o projeto como extremidades de um livro. “A primeira e a última música são como as extremidades do livro”, explicou Cara à Elle. Ambas nasceram de fluxo de consciência, escritas em aviões, espaço que a artista considera ideal para composição espontânea. A primeira foi composta quando tinha 18 anos.
O álbum traz faixas como The Mask e Crazy, Baby, com participações de Fiona Apple e da musicista britânica Minke. O trabalho com Minke é especialmente significativo: as duas mantêm relacionamento há quatro anos e essa parceria aparece refletida no novo trabalho. “Essa música foi inspirada na minha parceira de quatro anos, a quem amo e adoro”, afirmou Cara sobre Crazy, Baby. Minke compôs duas músicas do álbum ao lado de Cara, e ambas trabalham de forma intensiva juntas no estúdio e fora dele. “Ela é uma musicista muito talentosa e nos complementamos de forma incrível no estúdio e na vida”, revelou. A faixa é descrita como a mais animada e pop do projeto.
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Cara Delevigne (Vídeo: reprodução/Instagram/@caradelevigne)
A jornada que precedeu o lançamento
Antes de estrear Not Normal, Cara havia aberto o jogo sobre seu período de luta contra o abuso de substâncias. Em podcast com Louis Theroux divulgado em 29 de junho, ela falou de forma direta sobre sua trajetória de sobriedade, marcando um ponto importante em sua recuperação pública.
Ela descreveu o enfrentamento do vício, revelando detalhes da dificuldade em manter a sobriedade. Havia sido medicamente desmamada do GBL por razões médicas e não conseguia se manter sóbria em casa, enfrentando o peso das consequências de suas ações passadas.
“Eu não consegui ficar sóbria e acabei tendo uma overdose porque acho que tinha opioides na cocaína que eu tinha comprado ou algo assim. Me deram naloxona, fui parar no hospital e foi lá que tudo aconteceu”, contou no podcast.
Minke, sua parceira na época, chamou a polícia durante o episódio, um momento traumático para ambas. Após a hospitalização, Cara tomou a decisão deliberada de se afastar e buscar ajuda profissional, reconhecendo que precisava fazer isso sozinha, longe de relacionamentos que pudessem complicar o processo.
Durante sua recuperação, conheceu pessoas que admira profundamente e que também mantêm sobriedade, reforçando seu compromisso com a mudança. Para Cara, o novo álbum se consolida como registro dessa transformação, com cada uma de suas 12 faixas representando capítulos de uma vida reconstruída. O processo criativo mostrou-se tão vital quanto qualquer tratamento médico, mantendo-a focada, presente e comprometida com sua recuperação enquanto moldava sua obra de estreia.
