André Mendonça considera incluir Moraes na investigação do Master após PF localizar troca de mensagens com Vorcaro

Polícia Federal encontrou comunicações entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes solicitando proteção contra ações de fiscalização

01 set, 2026
André Mendonça | Reprodução/Instagram/@oficial.andremendonca
André Mendonça | Reprodução/Instagram/@oficial.andremendonca

O ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, pondera incluir Alexandre de Moraes na investigação após a Polícia Federal localizar mensagens diretas entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o relatório da PF, Vorcaro buscou junto ao colega de Corte uma proteção contra medidas de órgãos de fiscalização dirigidas ao seu banco. A descoberta acendeu tensão dentro da instituição.

O método usado para se comunicar

De acordo com o relatório da Polícia Federal, Vorcaro utilizava um procedimento específico para reduzir possíveis rastros. Escrevia os textos no bloco de notas do celular, capturava prints das telas e enviava como mensagens de visualização única via WhatsApp para o ministro. O relatório indica que Moraes replicava a mesma técnica em suas respostas.

Mendonça estabeleceu um prazo para a Procuradoria-Geral da República (PGR) apresentar sua manifestação antes de definir sobre a inclusão de Moraes no inquérito. Conforme apurou a ICL Notícias, nos corredores do tribunal, o relator e sua equipe examinam a possibilidade de retirar o sigilo do relatório da PF. Uma eventual liberação pública das informações intensificaria a repercussão do caso nos ambientes do Palácio do Planalto e entre membros da instituição.


Ministro André Mendonça avalia incluir Moraes na investigação do Banco Master (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT News)


O que as mensagens revelavam

Os registros datam de 30 de outubro de 2025. Neles, Vorcaro expressa inquietação com uma investida iminente de autoridades contra suas operações. O banqueiro mencionou ter movimentado quantias não divulgadas no banco e aguardava recebimento de montantes adicionais na semana subsequente. Referiu ainda que o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) tinha iniciado sua atuação.

“Boa, vou mudar minha ida a abu dhabi pra conseguir te ver, se voce puder na terça feira! As coisas do ponto de vista economico estao andando bem. Consegui colocar no banco 800mm ja e devem entrar mais 400mm próxima semana. E FGC começou a fazer aos poucos”, disse Vorcaro em mensagem a Moraes.

Em outra comunicação, Vorcaro apontou que o Banco Central enfrentava pressão simultânea da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Solicitou uma intervenção junto aos dirigentes dessas instituições. A PF identificou as referências cifradas: ‘G’ designava Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central; ‘Andrei’ era Andrei Rodrigues, diretor-geral da PF; e ‘Paulo’ referia-se a Paulo Gonet, procurador-geral da República.

“O problema agora é que tive informações informais e em confidencia de turma do banco central, que G e os diretores estao na pressao maxima de novo pra uma medida, pois o bacen esta sendo muito pressionado pela PF e MP, alegando que farao algo contra mim. É importante reforçar com Andrei e Paulo pra nao deixar ninguem de baixo fazer uma sacanagem que ai vai tudo pro saco”, escreveu Vorcaro.

Vorcaro também se ofereceu para esclarecer aspectos da situação. Ofereceu fornecer nomes de pessoas que teriam comparecido no Banco Central. Recomendou cautela para não expor fontes internas da instituição, ressalvando que os dados provinham de contatos dentro do banco que participaram de reuniões.

“Estou disponivel pra tratar e explicar qq coisa, so nao pode ter sacanagem. Vou te mandar os nomes que tem ido ao Bacen alegando que farao algo em breve”, completou Vorcaro.

A assessoria do Supremo informou que Moraes não se pronunciou após ser contatado. A PGR foi intimada na segunda-feira (31 de agosto). Segundo o tribunal, a Procuradoria-Geral da República dispõe de prazo de cinco dias para formalizar sua posição ao relator do processo.

A situação amplia os possíveis desdobramentos acerca das conexões entre ministros e o sistema financeiro. A eventual inclusão de Moraes na investigação marca um novo estágio na apuração dos movimentos do Banco Master e de seus supostos beneficiários institucionais.

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