Mensagens de Vorcaro expõem contatos com Moraes

Mensagens de Vorcaro apreendidas pela PF revelam contatos com Moraes e aliados, além de detalhes sobre contratos e a investigação

02 set, 2026
Daniel Vorcaro | Reprodução/X/@CNNBrasil
Daniel Vorcaro | Reprodução/X/@CNNBrasil

Registros extraídos pela Polícia Federal do aparelho celular de Daniel Vorcaro indicam que o banqueiro manteve contato com o ministro Alexandre de Moraes e indivíduos próximos a ele. Essa documentação, com um total de 218 páginas, foi compilada após a apreensão do dispositivo no âmbito da operação Compliance Zero. As mensagens incluem diálogos sobre acordos, transferências financeiras e a apuração que resultou na detenção de Vorcaro. A divulgação desses dados ocorreu após o levantamento do sigilo de um processo em curso no Supremo Tribunal Federal.

 

Contratos e relação com Moraes

O levantamento da PF engloba diálogos entre Vorcaro e uma pessoa identificada como “Alexandre de Moraes BRASILIA”, assim como papéis relativos ao escritório Barci de Moraes, de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro. Conforme o registro, o número associado a Moraes foi compartilhado com Vorcaro em dezembro de 2023 e, depois, guardado na lista de contatos do banqueiro.

Um dos acordos foi formalizado em janeiro de 2024 entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes. O pacto previa honorários de R$ 108 milhões líquidos ao longo de três anos, ou R$ 131,3 milhões em valores brutos. O estudo também indica que uma versão do documento foi alterada por Moraes no sistema Office 365. O escritório ratificou que o ministro colaborou na edição, porém sustentou que a contratação passou por checagem de conformidade e que não havia objeção legal.

Outro documento examinado pela PF diz respeito à Viking Participações e previa uma remuneração de até R$ 50 milhões. De acordo com o levantamento, uma proposta sugeria o pagamento por meio de ações ligadas a duas empresas do ramo aeronáutico. O escritório, no entanto, declarou que a proposta de quitação não foi aceita e que nada foi assinado nesse molde.


 

Daniel Vorcaro e Alexandre Moraes (Foto: reprodução/Instagram/@revistaoeste)


Mensagens pré-prisão

Os diálogos também revelam que Vorcaro buscou Moraes nos dias que antecederam sua detenção, em novembro de 2025. Em 15 de novembro, o banqueiro consultou o ministro sobre a necessidade de deixar o país dois dias depois, em face do avanço da operação Compliance Zero. Dois dias mais tarde, em 17 de novembro, ele foi detido pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo.

Em outra troca de mensagens, enviada na véspera da prisão, Vorcaro indagou se havia chance de a detenção ocorrer na manhã seguinte. As conversas registram ainda questionamentos sobre o desenrolar da investigação e prováveis ações relativas ao caso. Parte dos intercâmbios, contudo, não pôde ser refeita pela PF, pois algumas mensagens foram transmitidas pelo recurso de visualização única do WhatsApp.

O estudo também aponta contatos de Vorcaro com outras personalidades públicas. Dentre eles figura o ex-ministro Fábio Faria, que teria repassado ao banqueiro informações sobre cobranças referentes a pagamentos ao escritório Barci de Moraes. Em uma das conversas, um contato descrito como responsável por transações financeiras enviou a Vorcaro o comprovante de um pagamento de R$ 3,42 milhões para o escritório.

Adicionalmente, a investigação documentou contatos envolvendo o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Segundo o levantamento, o advogado Ciro Soares enviou à Vorcaro uma foto ao lado de Gonet e declarou que o procurador desejava falar com o banqueiro. Em seguida, foram registradas quatro chamadas entre Soares e Vorcaro. O documento também menciona mensagens posteriormente associadas a Gonet.


 

As mensagens na Pré-Prisão de Daniel Vorcaro (Foto: reprodução/Instagram/@cartacapital)


PF destaca que a análise do aparelho celular ocorreu em três dias e não foi uma investigação completa. Assim, o documento reconhece que outras referências ou diálogos podem ainda não ter vindo à tona. O conteúdo divulgado compila partes da apuração, mas apenas a existência das mensagens não permite concluir definitivamente se houve alguma irregularidade nas conexões citadas.

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