Disputa entre Massis e Olten aumenta tensão política no São Paulo

Divergências sobre a análise do contrato se somam a meses de conflitos entre a diretoria e o Conselho Deliberativo, em meio à disputa pelo poder no Tricolor

03 set, 2026
Olten Ayres | Reprodução/Instagram/@ogabrielsa
Olten Ayres | Reprodução/Instagram/@ogabrielsa

A proximidade das eleições do São Paulo aumentou a tensão entre Harry Massis, presidente do clube, e Olten Ayres, presidente do Conselho Deliberativo. O novo capítulo envolve o acordo com a Ticketmaster, que prevê um adiantamento de R$ 140 milhões e é considerado importante pela diretoria para amenizar os problemas financeiros do Tricolor.

Contrato amplia disputa entre os dirigentes

O acordo prevê que a Ticketmaster assuma a gestão da venda de ingressos do Morumbis. A negociação já passou pelo Conselho de Administração, mas ainda precisa ser aprovada pelo Conselho Deliberativo.

Olten, porém, decidiu criar uma comissão de quatro conselheiros para analisar as condições do contrato antes da votação. A medida ocorreu após questionamentos também feitos pela NewC, concorrente da Ticketmaster.


Harry Massis (Foto: reprodução/Instagram/@massisjunior)


A decisão desagradou Massis. Em um áudio vazado, o presidente demonstrou preocupação com a demora e afirmou que a entrada dos recursos é necessária para o São Paulo cumprir seus compromissos financeiros. O clube enfrentou atrasos em pagamentos ao elenco durante a temporada.

Olten defende uma análise mais cuidadosa. Para o dirigente, justamente por causa da situação financeira do São Paulo, um acordo que pode comprometer receitas futuras precisa ter seus custos, garantias e obrigações avaliados antes da aprovação.

Relação acumula conflitos durante o ano

O desgaste entre os dois dirigentes não começou com a Ticketmaster. Massis assumiu a presidência em janeiro, após a renúncia de Julio Casares, e desde então protagonizou diferentes embates com Olten.

Em abril, Massis chegou a pedir a expulsão do presidente do Conselho por supostas irregularidades relacionadas a uma proposta de reforma estatutária. O caso provocou disputas internas e uma investigação sobre possível falsidade ideológica. Em julho, o Ministério Público arquivou o inquérito por ausência de tipicidade penal.

Massis também enfrentou questionamentos. Conselheiros apresentaram uma representação pedindo seu afastamento e citaram, entre outros pontos, atrasos salariais e problemas de governança. O pedido foi arquivado pela Comissão de Ética em agosto.

Eleição aumenta peso do novo impasse

A disputa ganha importância porque o São Paulo se aproxima de uma nova eleição. Os conselheiros serão escolhidos na segunda quinzena de novembro, enquanto a votação para presidente está prevista para a primeira metade de dezembro.


Torcida do São Paulo (Foto: reprodução/Instagram/@saopaulofc/@Luan Ryder)


Massis ainda avalia concorrer à presidência, enquanto outros nomes também se movimentam nos bastidores. Na oposição, Marcelo Portugal Gouvêa Jr. aparece como possível candidato apoiado pelo grupo de Olten.

Nesse cenário, o contrato de R$ 140 milhões deixou de ser apenas uma questão financeira. A eventual entrada do dinheiro pode dar fôlego à administração de Massis, enquanto a análise conduzida pelo Conselho reforça o poder de Olten sobre uma decisão considerada estratégica para o clube.

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