Petrobras amplia plano de perfuração na Foz do Amazonas após licença do Ibama
Licença autoriza quatro perfurações no Amapá; Petrobras avalia resultados que podem viabilizar produção de petróleo em até sete anos
Foz do Amazonas entra em uma nova etapa de exploração de petróleo após o Ibama retificar a Licença de Operação n.º 1684 e autorizar a Petrobras a perfurar três novos poços no bloco FZA-M-59, na costa do Amapá. A autorização também contempla a conclusão do poço Morpho, que já está em andamento.
Os novos poços são chamados Manga, Crotalus e Morpho Extensão. Com a decisão, a campanha passa a contar com quatro perfurações. A Petrobras deverá apresentar ao Ibama, em até 30 dias, um planejamento atualizado das atividades previstas para a região. A licença estabelece ainda medidas para reduzir riscos ambientais durante as operações.
MPF aponta divergências no licenciamento
Entre as exigências da licença estão: inspeção das sondas (equipamentos devem passar por verificação antes das atividades). Controle de resíduos: não é permitido o descarte de resíduos no mar. Atendimento à fauna: devem ser mantidos centros preparados para receber animais eventualmente afetados.
A ampliação das atividades ocorre enquanto o Ministério Público Federal (MPF) questiona informações relacionadas ao processo de licenciamento. O órgão identificou diferenças entre declarações apresentadas pelo Ibama em audiência e os dados registrados nos documentos administrativos.
Petrobras tem liberação do Ibama para perfuração no Foz do Amazonas (Vídeo: reprodução/Youtube/@g1)
Segundo o MPF, representantes do Ibama informaram, em abril de 2025, que a atividade seria pontual e teria duração aproximada de seis meses. Os documentos, entretanto, indicam uma campanha com quatro poços e atividades previstas até 2029.
Para o órgão, a divergência pode dificultar a avaliação dos impactos ambientais da operação. Entre os pontos de atenção estão possíveis efeitos sobre a fauna marinha, a pesca artesanal e comunidades tradicionais da região.
Margem Equatorial pode ganhar nova frente de produção
Os resultados das perfurações serão importantes para determinar o potencial comercial da área. Caso a Petrobras confirme a existência de reservas economicamente viáveis, a produção poderá começar em até sete anos, conforme a expectativa apresentada pela companhia.
A possibilidade coloca a Margem Equatorial entre as áreas avaliadas para uma eventual expansão da produção nacional de petróleo. Antes disso, porém, será necessário concluir a etapa exploratória e analisar os dados obtidos nos poços. A nova autorização, portanto, amplia a investigação sobre o potencial petrolífero da costa do Amapá, enquanto o processo segue acompanhado pelas autoridades ambientais e pelo MPF.
