Independência do Brasil: veja como são preservados os originais do Hino Nacional
A melodia do Hino é de 1831, de Francisco Manuel da Silva, enquanto a letra definitiva de Osório Duque-Estrada foi escrita quase um século depois, em 1922
Guardados em instituições do Rio de Janeiro, os registros originais do Hino Nacional Brasileiro passam por cuidados especiais para evitar a deterioração. O manuscrito da letra, de Osório Duque-Estrada, está no arquivo da Academia Brasileira de Letras (ABL), e a partitura da melodia está armazenada na Escola de Música da UFRJ.
Preservação dos documentos
Na ABL, o manuscrito da letra é mantido em uma sala de acesso restrito, preparada para reduzir os riscos de deterioração. A temperatura e umidade da sala são monitoradas, e o espaço também conta com medidas específicas de prevenção contra incêndios. O manuseio do documento também exige procedimentos especiais, como uso de luvas para evitar danos ao papel.
Outro cuidado foi necessário por causa da própria tinta utilizada por Duque-Estrada. Segundo a ABL, o texto foi escrito com tinta ferrogálica, que possui ferro em sua composição e pode provocar a corrosão do papel ao longo do tempo. Por isso, o manuscrito passou por um tratamento destinado a interromper esse processo de deterioraação.
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Manuscritos originais do Hino Nacional. (Video: reprodução/Instagram/@pedro.bohn)
Com data de de 3 de agosto de 1922, o documento registra a versão definitiva da letra do Hino. Pouco mais de um mês depois, em 6 de setembro, o Hino Nacional foi oficializado por decreto, às vésperas das comemorações de 100 anos da Independência do Brasil.
Os autores
A preservação dos registros do hino faz parte do trabalho da ABL para proteger documentos históricos. O mesmo arquivo abriga manuscritos de importantes nomes da literatura brasileira, como Machado de Assis, Euclides da Cunha, João Ubaldo Ribeiro, Manuel Bandeira e Guimarães Rosa.
Apesar de a versão atual do hino ter pouco mais de um século, a melodia é bem mais antiga. Francisco Manuel da Silva compôs a música em 1831, inicialmente com o nome de “Hino ao 7 de Abril”, em referência à abdicação de Dom Pedro I.
Já o autor da letra, Osório Duque-Estrada, teve uma trajetória ligada à literatura e ao ensino. Nascido em Vassouras, no interior do Rio de Janeiro, durante o período imperial, ele foi poeta, crítico, professor, ensaísta e teatrólogo. Em 1915, entrou para a Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira 17.
