Indústria argentina fecha fabricas e cria pressão em Milei
Inflação teve forte queda no pais, mas crise no setor industrial provoca fechamento de fábricas e aumento de desemprego durante gestão de Milei
A indústria argentina vem enfrentando uma nova fase de dificuldades durante o governo de Javier Milei. Enquanto a inflação sofreu uma queda, fábricas diminuíram a produção, empresas encerraram as atividades e milhares de trabalhadores perderam seus empregos.
Essa situação está ligada a uma abertura comercial promovida pela gestão do governo, que visa aumentar a entrada de produtos do exterior, ampliando a concorrência com as fabricantes locais.
Fábricas diminuem produção e promovem corte de funcionários
Segundo dados que mostram o atual impacto no setor, cerca de 40% da capacidade industrial da Argentina apresentou ociosidade no mês de junho. Em julho, a produção manufatureira registrou uma queda de 5% comparada ao mês anterior.

Presidente da Argentina, Javier Milei (Foto: Reprodução/Instagram/@javiermilei)
Desde a posse de Milei à presidência, no final de 2023, cerca de 87 mil empregos de carteira assinada foram perdidos no setor industrial. No mesmo período, mais de 4 mil empresas industriais também deixaram de funcionar no país.
A situação é considerada difícil para empresas de pequeno e médio porte, que vêm enfrentando forte queda de consumo, custos altos e grandes dificuldades de competir com produtos importados.
Em algumas ocasiões, algumas fábricas reduziram expedientes e passaram a operar com uma parcela menor da capacidade habitual. A redução de jornadas também afeta trabalhadores que optam por trabalhos informais ou aplicativos para complementar a renda mensal.
Mesmo com inflação menor, indústria segue sob pressão
De um lado, a inflação apresentou uma ampla desaceleração desde o início do governo Milei em dezembro de 2023. Em agosto deste ano, o índice de preços registrou um percentual de 1,7% no mês, considerado o menor resultado em mais de um ano. Nos últimos 12 meses, a inflação do país ficou em torno de 33,5%.
O governo da Argentina sustenta que a abertura econômica é parte de uma mudança no modelo estrutural do país. Aliados de Milei dizem que empresas que são menos competitivas devem deixar o mercado para que novos setores, principalmente os de exportações, tenham espaço para crescer.
Já críticos do governo afirmam que o processo vem provocando um forte avanço do desemprego e deteriorando o mercado de trabalho e que os novos investimentos não são capazes de compensar as perdas.
