Caso Master: PGR pede fim do sigilo de pagamentos

Caso Master avança após STF liberar dados financeiros de Daniel Vorcaro. Relatórios do Coaf podem esclarecer movimentações investigadas pela PF

15 set, 2026
Supremo Tribunal Federal | Reprodução/STF/Fellipe Sampaio
Supremo Tribunal Federal | Reprodução/STF/Fellipe Sampaio

O caso Master ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (14). O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de dados sobre pagamentos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Vorcaro está preso em Brasília.

Com a decisão, um relatório de inteligência financeira passou a ser público. A medida permite acesso a informações sobre movimentações de dinheiro analisadas durante a investigação da Polícia Federal (PF), que apura possíveis irregularidades envolvendo o banco e pessoas ligadas a Vorcaro.

Relatórios mostram movimentações financeiras

O chamado Relatório de Inteligência Financeira, conhecido como RIF, é um documento produzido pelo Coaf. De forma simples, reúne informações sobre movimentações de dinheiro que podem fugir do padrão esperado ou levantar suspeitas. Bancos, seguradoras e outras instituições precisam comunicar determinadas operações ao órgão, que analisa os dados e reúne as informações. O documento pode apresentar valores movimentados, nomes de pessoas e empresas envolvidas, datas e outros dados financeiros.

O RIF também pode apontar sinais que precisam de uma análise mais detalhada, inclusive em casos de suspeita de lavagem de dinheiro. O relatório, porém, não significa sozinho que uma pessoa cometeu um crime. As informações precisam ser comparadas com outros documentos e provas. No caso Master, a Polícia Federal busca entender movimentações financeiras relacionadas a Daniel Vorcaro e empresas ligadas a ele.

A divulgação dos dados pode ajudar os investigadores a comparar os valores registrados pelo Coaf com informações encontradas em celulares, contratos, contas bancárias e outros materiais recolhidos durante a apuração. O Supremo Tribunal Federal já tornou públicos 53 procedimentos relacionados ao caso Master, após um pedido do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. A medida aumenta o acesso aos documentos e permite uma análise mais ampla das diferentes partes da investigação.

A Procuradoria Geral da República também defendeu a divulgação do conteúdo. O parecer foi apresentado após um pedido do ministro Alexandre de Moraes, que considerou importante tornar público o processo relacionado à rede de pagamentos de Vorcaro. Segundo a PGR, o acesso aos documentos pode ajudar a esclarecer os fatos analisados pelo Supremo e contribuir para o avanço das investigações.



Caso Master (Vídeo: Reprodução/Youtube/CNN Brasil)


A Procuradoria Geral da República também defendeu a divulgação do conteúdo. O parecer foi apresentado após um pedido do ministro Alexandre de Moraes, que considerou importante tornar público o processo relacionado à rede de pagamentos de Vorcaro. Segundo a PGR, o acesso aos documentos pode ajudar a esclarecer os fatos analisados pelo Supremo e contribuir para o avanço das investigações.

Entenda o caso Master e quem é Vorcaro

O caso Master envolve suspeitas de irregularidades financeiras relacionadas ao Banco Master e ao seu antigo controlador, Daniel Vorcaro. A Polícia Federal investiga operações realizadas por empresas ligadas ao grupo, além de possíveis fraudes e movimentações suspeitas.

Vorcaro ficou conhecido por comandar o Banco Master e foi preso durante as investigações. Atualmente, está em Brasília. A apuração também envolve pessoas próximas a ele, empresas e diferentes operações financeiras. Os investigadores procuram entender a origem e o destino dos valores movimentados e verificar a possível participação de outras pessoas.

O caso ganhou ainda mais repercussão por envolver autoridades e pessoas ligadas à política. Documentos da Polícia Federal (PF) levantaram questões sobre contatos de Vorcaro com integrantes de diferentes áreas. Entre os assuntos analisados estão mensagens trocadas pelo banqueiro com o ministro Alexandre de Moraes, o que aumentou a tensão dentro do Supremo. Mendonça é relator de parte das investigações e já determinou a divulgação de documentos que estavam sob sigilo. Moraes também pediu que informações sobre a rede de pagamentos de Vorcaro fossem tornadas públicas, enquanto Fachin passou a organizar o acesso aos documentos e os próximos passos da investigação.

A divulgação dos relatórios do Coaf representa mais uma etapa da investigação. Com os dados públicos, as autoridades poderão analisar as movimentações financeiras com mais detalhes e comparar as informações com outras provas. O caso Master continua em andamento no Supremo e na Polícia Federal. A retirada do sigilo amplia o acesso aos dados sobre as operações de Vorcaro e do Banco Master, mas não encerra a apuração. Novos documentos e depoimentos ainda podem ajudar a esclarecer como funcionava a rede de pagamentos e quais pessoas tiveram participação nas operações analisadas.

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