Brasileira cria tecnologia que auxilia crianças com câncer
Ana Cláudia Arias adaptou sensores militares dos EUA para exames de crianças com câncer, reduzindo a necessidade de anestesia geral
Com uma trajetória acadêmica e empresarial consolidada no setor de alta tecnologia norte-americano, a brasileira Ana Cláudia Arias foi responsável por uma inovação tecnológica originalmente desenvolvida para acompanhar a saúde de militares submetidos a detonações, que tomou rumos diferentes, com os esforços direcionados para aprimorar os exames diagnósticos de crianças em tratamento oncológico.
No Vale do Silício, na Califórnia, EUA, após se graduar em física, Ana começou a dar os seus primeiros passos na sua carreira em uma corporação de destaque, recebendo orientações que mudariam bastante sua visão profissional e do mundo, interferindo diretamente em sua dedicação ao trabalho e na criação de projetos completamente desconhecidos.
Equipamentos militares e novos horizontes
A pesquisadora projetou um dispositivo com múltiplos sensores para ser integrado aos capacetes dos militares durante o período em que o governo norte-americano financiava diversas iniciativas ligadas ao Departamento de Defesa. Tal aparelho permitia monitorar o ambiente em tempo real e detectar se os soldados haviam sido expostos a explosões. O êxito desses mecanismos de detecção acabou por impulsionar a desenvolvedora a expandir sua atuação e aplicar esse conhecimento em novas frentes de inovação.
Ana Cláudia Arias durante palestra sobre sua pesquisa (vídeo: reprodução/Youtube/@BerkeleyEECS)
Ana acabou fundando sua própria empresa, a qual possuía foco na criação de sensores para utilização agrícola, direcionados a fatores como umidade e luminosidade nos solos. Na renomada Universidade de Berkeley, também localizada na Califórnia, a brasileira tornou-se uma pesquisadora responsável por estruturar seu próprio laboratório de testes. E, nesse novo ambiente acadêmico, ela decidiu utilizar a sua bagagem técnica adquirida nos equipamentos militares para a área da saúde.
Auxílio no tratamento de câncer infantil
O momento de criação dessa nova tecnologia voltada aos exames de ressonância magnética em pacientes infantis, concentrando-se sobretudo naqueles que se encontravam em tratamento contra o câncer, teve início ao lado de seus alunos. A proposta principal do projeto é diminuir a dependência de anestesia geral ao longo do procedimento, sendo que o uso desses novos componentes busca tornar o diagnóstico mais seguro e confortável para os pequenos.
Com o mesmo princípio do conceito dos sensores militares, a solução difere-se ao utilizá-los no ramo das atividades médicas. Todo o equipamento é fabricado no próprio laboratório através de impressões de alta precisão, o que é benéfico, reduzindo custos operacionais e diminuindo significativamente a dependência de fornecedores como a China na obtenção de componentes vitais, trazendo, assim, mais autonomia.
