Autoridade Palestina volta a ter visto negado pelos EUA

Pelo segundo ano, EUA negam visto a líder palestino para a Assembleia da ONU e anunciam restrições a integrantes da Autoridade Palestina

17 set, 2026
Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas | Reprodução/Instagram/@arabnews
Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas | Reprodução/Instagram/@arabnews

Nesta quarta-feira (16), conforme divulgado pela agência AFP (Agence France-Presse), o governo dos Estados Unidos voltou a recusar a concessão do visto de entrada para Mahmoud Zeidan Abbas, presidente da ANP (Autoridade Nacional Palestina). Essa decisão impede a presença do líder palestino na abertura da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), agendada para a próxima semana em Nova York.

O veto, que impossibilita a autoridade do Oriente Médio de comparecer ao evento anual das Nações Unidas em solo norte-americano, não é nenhuma novidade, sendo esta a segunda ocasião consecutiva em que ele não poderá participar presencialmente. Na edição anterior, após a administração estadunidense cancelar as autorizações de viagem da comitiva palestina, o envio de um pronunciamento por vídeo foi a alternativa concedida pela organização.

Sanções e alegação de descumprimento de acordos

O Departamento de Estado dos EUA, em uma declaração emitida nesta mesma quarta-feira (16), formalizou restrições voltadas para os servidores da Autoridade Palestina e também da OLP (Organização para a Libertação da Palestina). O documento governamental justifica a aplicação das penalidades ao declarar que ambos os organismos voltaram a descumprir os acordos que foram firmados com os Estados Unidos.

Além disso, apontando o financiamento de indivíduos classificados por Washington como terroristas, o Departamento de Estado norte-americano também acusa o governo palestino de persistir em exaltar condutas violentas em discursos e em materiais pedagógicos. Estas punições, de acordo com as autoridades dos EUA, decorrem diretamente da dificuldade no progresso das negociações para o estabelecimento da paz, que são inviabilizadas por causa do descumprimento de reformas estruturais por parte das lideranças palestinas.

O histórico do veto e o discurso por vídeo

Essa determinação é um reflexo direto da gestão do presidente Donald Trump, em que, no ano passado, os vistos do líder palestino e de sua comitiva também foram cancelados pelos norte-americanos. Naquela circunstância, o governo da Casa Branca já atribuía a sabotagem nos avanços das negociações de paz no Oriente Médio e o desrespeito aos pactos diplomáticos prévios à OLP e à Autoridade Palestina, associando-as a atos extremistas.


Mahmoud em pronunciamento por vídeo na ONU (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Spencer Platt)


Apesar dessa restrição de entrada no território do hemisfério norte, o líder palestino não ficou de fora dos debates da Assembleia Geral anterior. Em 2025, uma votação que foi aprovada por mais de 145 nações da ONU garantiu a Mahmoud Abbas a prerrogativa de se pronunciar remotamente por vídeo. O boicote à medida partiu de apenas cinco governos, encabeçados pelos aliados Tel Aviv e Washington, enquanto meia dúzia de estados optaram pela abstenção.

A estrutura política e a rivalidade com o Hamas

A Autoridade Nacional Palestina, liderada por Mahmoud Zeidan Abbas, é a instituição responsável por gerir trechos da Cisjordânia desde os anos 1990, tendo sido constituída durante os Acordos de Oslo (Noruega) como etapa para a autonomia local. Alinhada à Organização para a Libertação da Palestina, uma aliança de correntes políticas rival do Hamas, a entidade teve sua influência interrompida na Faixa de Gaza após o pleito legislativo de 2006 ter garantido a vitória do grupo adversário naquele território. Em decorrência dessa divisão, a atuação governamental do órgão acabou ficando restrita às localidades sob seu domínio na região da Cisjordânia.

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