EUA fazem acordo com Dinamarca para ter controle permanente da segurança da Groenlândia

Pacto será assinado na próxima semana e bloqueia adversários americanos de manter bases militares ou investimentos estratégicos na ilha do Ártico

18 set, 2026
Donald Trump | reprodução/X/@NewsLiberdade
Donald Trump | reprodução/X/@NewsLiberdade

Donald Trump anunciou nesta sexta-feira (18) um acordo com a Dinamarca que confere aos Estados Unidos controle permanente sobre a segurança e defesa da Groenlândia. O tratado impede que potências adversárias americanas operem bases militares ou realizem investimentos sensíveis no território. A primeira-ministra dinamarquesa confirmou que o documento será assinado na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU.

Em publicação na rede social Truth Social, Trump declarou que o pacto permite aos EUA a capacidade de “para sempre fazer o que for necessário para proteger a Groenlândia e os próprios EUA”. O presidente descreveu o acordo como perpétuo, sem data de vencimento, e o caracterizou como realização de um objetivo histórico para a nação americana.

“Para sempre fazer o que for necessário para proteger a Groenlândia e os próprios EUA”.

Segundo Trump, o tratado estabelece que nenhuma potência rival poderá instalar base militar ou presença no território. Rivais também ficarão impedidas de executar investimentos classificados como estratégicos sem autorização do governo americano.

Presença militar imediata

Trump revelou que os EUA começarão imediatamente a desenvolver uma forte presença militar na Groenlândia. O presidente especificou que a ampliação ocorrerá “na parte apropriada” da ilha.

“Começaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar na parte apropriada da Groenlândia”.

Os Estados Unidos veem o território como vital para a segurança nacional. A Groenlândia poderia abrigar sistemas de defesa capazes de interceptar mísseis que partam da Europa ou do Ártico, conforme avaliação americana.


Nuuk, é a capital e a cidade mais populosa da Groenlândia (Foto: reprodução/Patricia Hamilton/ Getty Images Embed)


Por que o Ártico importa

O aquecimento do Ártico abre novas rotas de navegação marítima, o que desperta atenção da China. Uma via marítima pela região reduziria drasticamente a distância percorrida por navios chineses em comparação com rotas convencionais.

Embora localizada a cerca de 2 mil quilômetros do Ártico, a China investe em construção de navios quebra-gelo. O país é o maior fabricante mundial de veículos elétricos e aerogeradores, setores dependentes de minerais estratégicos encontrados na região.

Durante a Guerra Fria, russos e americanos estacionaram armamentos nucleares e submarinos no Ártico. A zona inclui plataformas de extração de petróleo e gás, além de infraestrutura de telecomunicações por fibra óptica, consolidando sua relevância militar e econômica.

Posição da Dinamarca

O governo dinamarquês confirmou que o acordo será assinado na próxima semana. A primeira-ministra Mette Frederiksen declarou que o pacto fortalecerá a segurança na região.

“É um acordo que fortalece nossa segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte e, portanto, também é bom para a Otan e para a Europa”.

Frederiksen também destacou que o pacto reconhece a soberania dinamarquesa. Conforme a premiê, o tratado “reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação”.

A posição groenlandesa

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, afirmou que o acordo respeita os interesses do território. Nielsen enfatizou que o pacto reconhece a soberania groenlandesa.

A Groenlândia é uma ilha integrante do Reino da Dinamarca, porém com governo autônomo. Foi colônia dinamarquesa até 1953, quando passou a integrar formalmente o Reino. Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo.

Caminhos até o pacto

O acordo resulta de meses de tensão e negociações sobre a segurança futura da Groenlândia. Trump insistiu reiteradamente que os Estados Unidos deveriam exercer controle sobre o território.

O presidente ameaçou a União Europeia com tarifas caso a Dinamarca rejeitasse ceder o controle. As pressões geraram atritos entre os EUA e o bloco. Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Trump chamou a Dinamarca de ingrata e afirmou que “a Europa não está indo na direção correta”.

Ao encerrar o encontro em Davos, Trump informou que os EUA e a Otan haviam desenhado a estrutura de um possível acordo envolvendo a Groenlândia e toda a região do Ártico. O presidente também mencionou discussões adicionais sobre o chamado “Domo de Ouro”, uma estrutura militar planejada pelos EUA para interceptar mísseis contra o território americano, segundo reportagem do G1.

Os EUA já demonstraram interesse em controlar ou adquirir o território no passado, principalmente por razões de segurança. O tema ganhou destaque no ano passado, quando Trump começou a defender a ideia de anexação. Atualmente, os norte-americanos mantêm uma base militar na região.

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