Juros altos nos EUA pressionam o mercado de ações no Brasil

Alta de juros nos EUA e queda da Selic acendem alerta no mercado, mas analistas descartam debandada geral de investidores da bolsa brasileira

21 set, 2026
Dólar vs Real | Reprodução/Instagram/@infomoney/@casadamoedabrasil
Dólar vs Real | Reprodução/Instagram/@infomoney/@casadamoedabrasil

Nesta quarta-feira (16), o Federal Reserve dos EUA reajustou a sua taxa de juros, alcançando o patamar de 3,75% a 4% ao ano após um acréscimo de 0,25 ponto percentual. Em direção contrária, na mesma data, o Banco Central brasileiro promoveu a quinta diminuição seguida da Selic (a taxa básica de juros da economia brasileira), reduzindo-a em 0,25 ponto e fixando-a em 13,75% ao ano. Como resultado dessas duas medidas, os juros de ambos os países passaram a oscilar entre 9,75 e 10 pontos percentuais no diferencial nominal.

Essa divergência nas decisões financeiras, com a diminuição dos juros brasileiros e o aumento dos norte-americanos, tem o potencial de influenciar o direcionamento dos investimentos internacionais. Segundo o analista da Suno Research, João Daronco, a aproximação entre as taxas diminui o apelo dos ativos nacionais, o que pode conter a entrada de capital estrangeiro, impactar o mercado de ações e de renda fixa, além de pressionar a moeda nacional frente à moeda norte-americana. Porém, mesmo perante esse cenário, ele argumenta que este recuo da taxa básica de juros não anulará o apelo do mercado brasileiro para o restante do mundo.

Juro real ainda garante atratividade do mercado brasileiro

Apesar do contexto atual das taxas de juros, não se projeta um abandono dos investidores do mercado acionário do país. Segundo o diretor de análise da empresa de investimentos ZERO Markets Brasil, Marcos Praça, o mercado nacional continua muito atraente para operações de carry trade (explorar a diferença nas taxas de juros entre diferentes países), mantendo-se no topo ao oferecer um dos maiores retornos reais do planeta. Além disso, para o apelo à entrada de capital de outras nações, também estão envolvidas as oscilações cambiais, as projeções de rentabilidade e o nível de confiança e risco percebido pelos agentes econômicos.

Títulos dos EUA atraem capital de quem busca estabilidade

Conforme a avaliação do especialista Nicolas Mérola, da empresa de análises EQI Research, o aporte financeiro de investidores internacionais na renda variável brasileira depende de maneira expressiva do realinhamento de carteiras no segmento de países emergentes, não estando totalmente à mercê das taxas de juros. Contudo, o profissional pondera que a tendência esperada é de que a elevação dos juros nos EUA concentre um volume superior de recursos em seu mercado, por causa dos que buscam mais proteção do patrimônio e a facilidade de resgate, que os rendimentos mais competitivos e requisitados dos títulos norte-americanos passaram a oferecer.


Estrategista de investimentos comenta sobre a estagnação do real (Vídeo: reprodução/Instagram/@willcastroalves)


Fatores que ditarão os próximos passos da bolsa

A chance de um novo ciclo de elevação na taxa básica dos Estados Unidos para o encontro de outubro superou o patamar de 50%, de acordo com dados do FedWatch (previsões de taxas do Federal Reserve), mantido pelo CME Group. Diante dessa perspectiva, o estrategista-chefe da empresa de investimentos Avenue, Will Castro Alves, ressalta que, embora a mudança exija cautela do mercado, ela não deve provocar uma debandada definitiva de capital da bolsa nacional. Em sua visão, o direcionamento real dos investimentos dependerá de um conjunto de fatores locais e externos, que engloba a cotação das commodities, o cenário fiscal e o eleitoral.

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