Acordo de Vorcaro previa até R$ 427 milhões a escritório
Documento da PF mostra R$ 427 milhões em honorários destinados a escritório de esposa de desembargador envolvida em processo do master
A Polícia Federal encontrou no telefone do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, uma minuta de acordo que previa cerca de R$ 427 milhões em honorários para um escritório de advocacia ligado à mulher de Newton Ramos, desembargador do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
A minuta, feita em março de 2024, trata da atuação do escritório Queiroga, Vieira & Ramos Advocacia em 12 autos relacionados a precatórios. As ações poderiam totalizar cerca de R$ 8,5 milhões em quantias para o Banco Master.
Acordo prévia pagamento em caso de sucesso
De acordo com as informações obtidas pela PF e divulgadas através do portal Metrópoles, o escritório receberia cerca de 5% das quantias pela instituição nos processos.

Daniel Vorcaro, grande nome do caso Banco Master (Foto: Reprodução / Wikimedia Commons / Márcio Gustavo Vasconcelos)
As ações envolvem ressarcimentos ligados ao tabelamento de preços feito pelo antigo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA). O Banco Master é citado no processo como cessionário ou credor dos créditos.
Caso a ação tivesse resultado em ganhos aproximados de R$ 8,5 bilhões, os honorários poderiam chegar a um valor próximo de R$ 427 milhões. O pagamento seria realizado após os valores serem recebidos.
Conteúdo cita “Turma do KN”
As mensagens encontradas no telefone de Vorcaro mostram também assessores citando a expressão “Turma do KN”, termo usado para se referir a Camila Ramos e Newton Ramos. As iniciais do termo seriam uma referência ligada a Kassio Nunes Marques, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).
As mensagens mostram ainda supostos pedidos ligados a eventos e hospedagens, alguns feitos pelo desembargador ou pelo ministro.
Camila Ramos chegou a comemorar uma decisão da Segunda Turma do Supremo que envolve precatórios a usinas de cana-de-açúcar e teceu elogios a um voto feito por Nunes Marques.
O ministro, por sua vez, negou ter mantido contato com Vorcaro ou até mesmo ter autorizado terceiros a falar em seu nome. Nunes Marques disse ainda que jamais votou a favor da instituição e afirmou que o julgamento citado se trata de uma tese aplicável a empresas divergentes.
