Filha de Robin Williams pede respeito após vídeo de IA com imagem do ator: ‘Deixem ele descansar’
Cineasta denunciou deepfake do ator falando sobre conspirações e pediu fim ao uso indevido de sua imagem após morte em 2014
Zelda Williams usou o Instagram na última segunda-feira (21) para criticar duramente um vídeo gerado por inteligência artificial que retratava seu pai Robin Williams, falecido em 2014, discutindo teorias de conspiração. A cineasta pediu que fãs interrompam a prática de explorar a imagem e a voz do ator para disseminar mensagens que nunca proferiu.
O deepfake circulava pelas redes sociais com qualidade técnica questionável. Segundo Zelda, o arquivo é facilmente identificável como criação de IA, com uma voz claramente artificial e pouco convincente. A cineasta se posicionou contra quem havia se deixado enganar pelo conteúdo falso.
“Aquele suposto ‘vídeo privado’ do meu pai que me mostraram falando sobre conspirações é claramente IA, e nem sequer é uma muito convincente… aquela voz é robótica e terrível”.
Zelda dirigiu seu ataque ao criador do conteúdo, pedindo que abandone o projeto. De acordo com sua publicação no Instagram, ela exigiu que deixe o pai fora dessa, nas suas palavras, “baboseira delirante” e permita que ele repouse. Ela argumentou que quem não consegue sustentar um argumento sem recorrer a um falecido está enganando o público.
“Dito isso, um ser humano criou um robô para fazer isso, e para você eu digo: deixe-o fora dessa sua baboseira delirante e deixe-o descansar”.
O debate sobre direitos e consentimento digital
Zelda reforçou que a morte não confere autorização a estranhos para colocar palavras na boca de Robin. A cineasta pediu respeito e dignidade, alertando que o falecido não pode consentir com o uso de sua imagem ou voz.
“Só porque ele se foi não significa que agora ele é seu fantoche. Tenha um pouco de vergonha”.
A crítica também tocou em questões morais. Conforme Zelda, quem precisa usar um morto para fortalecer sua narrativa está manipulando a audiência e sendo desonesto. A manifestação reaviva discussões sobre consentimento, direitos de falecidos e responsabilidade ética no uso de ferramentas de IA.
“Se você não consegue defender seu ponto de vista sem usar um morto para torná-lo mais convincente, então me diga: quem está manipulando o público através da mídia agora?”

Postagem de Zelda Williams (Foto: reprodução/Instagram/@zeldawilliams)
Histórico de resistência
Esta não é a primeira vez que Zelda se pronuncia contra tecnologias que recriam seu pai. Em outubro de 2023, a cineasta havia descrito como “perturbador” ouvir ferramentas de IA replicando a voz de Robin Williams, ressaltando as implicações mais amplas para artistas vivos.
Em 2025, Zelda pediu novamente aos seguidores que cessassem o envio de vídeos de IA com Robin, afirmando que não deseja receber tal material. A cineasta alertou que restringiria e bloquearia quem continuasse com a prática, solicitando que pessoas com um mínimo de decência encerrem essa exploração.
Robin Williams morreu em 2014, aos 63 anos, em sua residência na Califórnia. Zelda trabalha como cineasta e diretora, atuando como guardiã do legado do pai contra apropriações tecnológicas indevidas. Sua postura alimenta o debate sobre os limites da inteligência artificial generativa e a proteção da memória de artistas falecidos.
