Oruam obtém habeas corpus na Justiça e deixa de ser considerado foragido
8ª Câmara Criminal do TJRJ votou por unanimidade. Rapper responde em liberdade por lavagem de dinheiro ligada ao Comando Vermelho, condição que mantinha desde fevereiro
Por unanimidade, a 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro revogou nesta quarta (23/9) a prisão preventiva do rapper Oruam, nome artístico de Mauro Davi dos Santos Nepomuceno. A decisão o livra da condição de foragido, em que estava desde fevereiro de 2026. O artista agora responde em liberdade à ação penal que o investiga por suposta lavagem de dinheiro para o Comando Vermelho.
“A 8ª Câmara Criminal do TJRJ concedeu, nesta quarta-feira (23/9), por unanimidade, habeas corpus em favor do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, garantindo que o artista responda em liberdade e não seja considerado foragido.”
Oruam era procurado desde fevereiro, quando a Justiça decretou a prisão preventiva novamente após ele descumprir medidas cautelares ligadas ao uso de tornozeleira eletrônica. A revogação o permite circular livremente enquanto o processo segue seu curso.
Estrutura da acusação
O rapper é réu na mesma ação penal que envolve seu pai, Márcio Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, além de outros nove investigados. O Ministério Público do Rio de Janeiro ofereceu denúncia em 30 de janeiro de 2026 contra o grupo por crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Segundo a acusação, a organização funcionava em quatro núcleos especializados. O núcleo de gestão financeira recebia e distribuía recursos. O de fachada empresarial usava firmas para esconder a origem do dinheiro. O imobiliário investia em propriedades e fazendas para legitimar patrimônio. Por fim, o de inteligência coordenava operações e mantinha contato com a facção.
Marcinho VP, encarcerado há mais de 20 anos, segue exercendo influência sobre o Comando Vermelho de dentro da prisão. Conforme o MP, ele coordena decisões estratégicas e a circulação de recursos da organização criminosa. Márcia Nepomuceno, responsável pela gestão financeira segundo a denúncia, recebia valores em espécie de traficantes como Edgar Alves de Andrade (Doca), Wilton Carlos Rabello Quintanilha (Abelha) e Luciano Martiniano (Pezão), ocultando-os via empresas, imóveis e fazendas.
Oruam obtém habeas corpus na Justiça e deixa de ser considerado foragido (Vídeo: reprodução/YouTube/Portal f7)
Próximos passos da defesa
O advogado de Oruam, Thiago Lemos, informou que a defesa busca agora o trancamento da ação penal.
“Acredito que a Justiça seria feita e que a liberdade do Mauro Davi seria reestabelecida. O próximo resultado esperado é o trancamento desta ação penal, formada inteiramente por provas ilícitas, conforme atestado em laudo pericial.”
A revogação da prisão preventiva não encerra a ação penal. Oruam continuará sendo processado e deverá comparecer às audiências, respondendo em liberdade. A decisão não representa absolvição nem condenação, apenas o afastamento das restrições à sua liberdade de locomoção.
Oruam também responde a processo do Ministério Público de São Paulo por disparo de arma de fogo. Em julho de 2026, a juíza Tula Corrêa de Mello revogou sua prisão preventiva naquele caso, desclassificando a acusação de tentativa de homicídio para crimes como lesão corporal leve, ameaça, resistência, desacato e dano qualificado. O MP reconheceu que a intenção homicida não estava suficientemente comprovada.
