Operação Carbono Oculto chega à 3ª fase e mira nomes ligados ao Genial e ao Master

Investigação suspeita de lavagem de R$ 120 milhões através de fundos e empresas de fachada para aquisição da distribuidora Terrana

24 set, 2026
Arthur Tupinambá Neto e Daniel Vorcaro I Reprodução/Instagram
Arthur Tupinambá Neto e Daniel Vorcaro I Reprodução/Instagram

O GAECO e a Receita Federal cumpriram nesta quinta-feira (24) a terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrando 27 mandados de busca e apreensão em sete estados. Humberto Arthur Tupinambá Neto, ex-executivo do Banco Genial, é alvo central da ação, assim como seus irmãos André e Bruno Tupinambá e Antonio Carlos Freixo Junior, dono da Entre Investimentos.

A investigação do GAECO do Ministério Público de São Paulo apura suposta lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo a aquisição da distribuidora Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. Mandados foram autorizados pela 2ª Vara Criminal de Catanduva.

Líderes da rede investigada

A estrutura investigada seria comandada por Roberto Augusto Leme da Silva, alcunhado ‘Beto Louco’, e Mohamad Hussein Mourad, conhecido como ‘Primo’. Ambos apontados como lideranças da organização, mas não constam entre os alvos de busca e apreensão nesta fase.

A circulação de recursos

Segundo o GAECO e o Ministério Público, mais de R$ 120 milhões circularam por diferentes estruturas financeiras constituídas especificamente para viabilizar a compra da Terrana e ocultar patrimônio dos verdadeiros controladores.

A investigação identificou fundos e empresas de fachada: Fundo Radford, Fundo Derby 44, Fundo Los Angeles 01, Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda., todos constituídos meses antes da operação de compra.

Os recursos passaram por companhias como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi, utilizadas como ‘contas de passagem’, conforme investigadores. Conversas extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores indicam uso de pessoas interpostas, conhecidas como ‘laranjas’, para dissimular os reais controladores dos ativos.


Detalhes da Operação Carbono Oculto (Vídeo: reprodução/YouTube/@g1)


Fontes de prova

A investigação se sustenta em:

  • Relatórios do Coaf (Conselho de Atividades Financeiras Ilícitas)
  • Documentos bancários e movimentações financeiras
  • Informações do próprio Banco Genial
  • Mensagens extraídas de aparelhos celulares em fases anteriores
  • Análise de estruturas societárias das empresas investigadas

Quem é Humberto Tupinambá

Humberto Arthur Tupinambá Neto atuava como executivo do Banco Genial desde agosto de 2022. Segundo investigações, esteve ligado ao esquema entre 2024 e 2025, período em que ocupava o cargo na instituição.

Humberto Tupinambá não integra a Diretoria e não é sócio da instituição desde maio de 2026, quando ocorreu sua destituição

conforme comunicado do banco.

Antonio Carlos Freixo Junior

Freixo Junior é sócio da Entre Investimentos. Também é delator do caso Banco Master, tendo assinado acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República.

Postura do Banco Genial

O Banco Genial forneceu ao GAECO informações sobre o Fundo Radford e as empresas Berna e Branson Holdings. A instituição realizou as comunicações devidas ao Coaf e cumpriu procedimentos regulatórios.

Após conhecer os fatos, o banco adotou medidas internas: abertura de processo de Inspetoria, revisão da governança de operações de crédito, afastamento do então diretor dos processos decisórios, posterior destituição e contratação de especialistas externos para revisão de controles.

O banco renunciou à administração do Fundo Radford e mantém colaboração com as autoridades, fornecendo documentos solicitados.

A operação conta com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), Ministério Público de São Paulo, Receita Federal, Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Civil e Polícia Militar.

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