Entenda por que craques do futebol estão investindo na compra de clubes pequenos
Messi, Cristiano Ronaldo e Mbappé estão entre as estrelas que apostaram em equipes de menor porte; especialistas explicam os motivos por trás dos investimentos
O que Lionel Messi enxerga em um clube da quinta divisão espanhola? E por que Cristiano Ronaldo, ainda em atividade, optou por adquirir participação em um time da segunda divisão da Espanha? A resposta ultrapassa a simples paixão pelo futebol. Adquirir clubes tornou-se uma opção de investimento para atletas que acumularam fortunas e ergueram marcas globais ao longo de suas carreiras. E a procura por clubes de menor porte pode ser particularmente atraente. Custam menos, oferecem maior margem de valorização e ainda proporcionam uma visibilidade que dificilmente conseguiriam apenas com os resultados dentro de campo.
Messi ilustra esse movimento de forma recente. Em abril, o argentino comprou 100% da Unió Esportiva Cornellà, clube catalão que disputa a Tercera Federación, quinta divisão espanhola. O time se destaca pelo trabalho de formação de jogadores. Poucos meses depois, Messi deu mais um passo. O atacante firmou um acordo preliminar para assumir o Eldense, da segunda divisão. A negociação por 100% das ações que pertencem ao grupo colombiano TH Soluciones precisa ainda ser submetida aos procedimentos jurídicos e obter autorização do Conselho Superior de Esportes da Espanha. Cristiano Ronaldo também optou por investir no futebol espanhol. Em fevereiro, o português comprou 25% do Almería, da segunda divisão, por meio da CR7 Sports Investments, empresa criada para centralizar seus negócios no esporte.
Comunicado oficial:
Cristiano Ronaldo invierte en la UD Almería como parte del consorcio propietario del club liderado por SMC Group pic.twitter.com/0hGGWguEc0
— UD Almería (@U_D_Almeria) February 26, 2026
Comunicado oficial a respeito da compra de uma parte do UD Almeria (Post: Reprodução | X / @U_D_Almeria)
Messi e Cristiano integram um grupo cada vez maior. Kylian Mbappé (Caen, terceira divisão da França), N’Golo Kanté (Royal Excelsior Virton, terceira divisão da Bélgica), Gerard Piqué (Andorra, segunda divisão da Espanha), David Beckham (Inter Miami e Salford City) e Zlatan Ibrahimovic (Hammarby, da Suécia) estão entre jogadores ou ex-jogadores que apostaram em clubes.
Mais oportunidade para crescer
Um dos argumentos para os grandes jogadores realizarem a compra de clubes de pequeno porte no futebol está no tamanho do negócio. Adquirir uma fatia de um gigante europeu, como o Real Madrid ou Barcelona, exige cifras bilionárias. Em clubes menores, a barreira de entrada é consideravelmente menor.
Para o investidor, uma equipe de divisões inferiores pode oferecer uma oportunidade de valorização que um clube já estabelecido na elite não possui na mesma proporção. O acesso à divisão superior, o incremento das receitas comerciais, a promoção de jogadores e a expansão da torcida podem modificar rapidamente o tamanho do negócio.
O famoso também se torna parte do financiamento
Há outro elemento que diferencia Messi, Cristiano Ronaldo ou Mbappé de um empresário convencional. Eles não chegam sozinhos ao clube. Além do capital, trazem o nome, a base de seguidores e visibilidade internacional. Para um clube acostumado a uma exposição regional, anunciar uma estrela mundial entre seus proprietários pode representar alcançar imediatamente um público que levaria anos para ser conquistado apenas dentro de campo.
Coalition Capital annonce la reprise des parts d’Oaktree dans le @SMCaen aux côtés de PAC Invest. #SMCaen #TeamSMC
— Stade Malherbe Caen (@SMCaen) July 31, 2024
Anúncio da compra do Caen pelo fundo de investimento da família de Mbappé (Posto: Reprodução | X / @SMCaen)
Esta exibição pode criar novas oportunidades de negócios, desde patrocinadores até a comercialização de produtos e o crescimento nas plataformas sociais. O efeito não é necessariamente condicionado ao fato de a celebridade gerenciar o futebol ou se envolver nas decisões do cotidiano.
Hollywood de olho em equipes menores
O fascínio por equipes menores excedeu o âmbito dos jogadores. Talvez nenhum projeto tenha demonstrado tão claramente o potencial dessa união entre o futebol e o entretenimento como o Wrexham. Os atores Ryan Reynolds e Rob McElhenney assumiram o clube galês em 2021, quando a equipe estava competindo na quinta divisão do futebol inglês. O que se seguiu transformou o Wrexham em um fenômeno global.
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Ryan Reynolds comemorando o título do Wrexham (Foto: Reprodução | Instagram / @vancityreynolds)
O projeto esportivo teve acompanhamento na série documental “Welcome to Wrexham”, e a trajetória de um clube distante do topo começou a cativar públicos em várias nações. Juntamente com o crescimento financeiro, surgiram resultados positivos em campo e uma série de promoções.
Reynolds e McElhenney decidiram então replicar o investimento fora da Europa. Os atores fazem parte de um grupo de investidores que comprou o La Equidad, de Bogotá, ao lado de famosas personalidades como Eva Longoria. O exemplo do Wrexham explica por que clubes que geralmente estariam fora do radar de grandes investidores começaram a atrair a atenção de algumas das pessoas mais célebres do mundo, especialmente jogadores ou ex-jogadores de futebol.
