Rússia ameaça OTAN de usar armas nucleares caso isolem o enclave de Kaliningrado
Em documento da Rússia enviado à aliança, diz que Moscou ameaça usar “todo o arsenal” possível para defender Kaliningrado, enclave entre a Polônia e Lituânia
A Rússia teria advertido a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), em documento enviado e obtido pela agência Reuters, de que estaria pronta para usar armas nucleares caso a aliança militar isole o enclave de Kaliningrado, enclave russo nas margens do Mar Báltico e entre a Polônia e Lituânia.
As declarações ocorrem em meio às tensões da Rússia com países europeus, com acusações de que Moscou estaria causando uma “guerra híbrida” no continente, incluindo ações como sabotagens e incêndios criminosos.
Alerta de Moscou
Na nota, o governo russo alertou de que a OTAN estaria seguindo um “caminho perigoso e imprudente”, que poderia elevar os “riscos de eclodir um conflito armado direto”, podendo ocorrer ataques russos contra centros de tomada de decisão nos países membros da aliança logo no primeiro dia de conflito.
Além do aviso, embaixadas russas em três países europeus fizeram declarações nos últimos três dias acusando a aliança de aumentar as tensões com treinamentos militares e planejamento de cenários que envolvam o enclave de Kaliningrado.
Apesar do aviso, a Rússia nega que pretende atacar países da OTAN ou que representaria uma ameaça à Europa, mas afirma que qualquer agressão contra o enclave teria a resposta “mais energética possível”, já que Kaliningrado é um local extremamente militarizado.
O enclave de Kaliningrado é parte da Rússia desde 1945, quando ainda era a antiga União Soviética, após conquistar a Prússia Oriental alemã das tropas do ditador Adolf Hitler na Segunda Guerra Mundial e dividi-la com a Polônia. Além disso, a ditadura de Josef Stálin também ordenou a expulsão de moradores alemães da região e troca por moradores soviéticos na época, inclusive da atual cidade de Kaliningrado, antiga Königsberg.
Resposta da OTAN
Em resposta, o secretário-geral da OTAN, Mark Rutte, afirmou que a aliança é defensiva e pediu à Rússia o fim das ameaças contra os membros da organização.

Secretário-geral da OTAN, Mark Rutte | (Foto: reprodução/X/@allydailycom)
A porta-voz da aliança, Allison Hart, confirmou o envio da Rússia, mas sem divulgar o seu conteúdo completo de forma pública, já que a mensagem é tratada como um “non-paper”, um documento informal que não constitui uma comunicação formal.
Uma autoridade europeia de alto escalão da área de defesa afirmou que é “grave”, pois esta também seria a primeira vez em que a Rússia ameaça os países europeus desta forma desde a Guerra Fria.
Um diplomata da organização classificou o documento como uma tentativa de intimidação contra os países europeus por conta do apoio à Ucrânia e disse que a resposta foi “firme e responsável”.
