FDA detecta parasita ligado a surto de diarreia explosiva em fazenda de alface no México

Quase 13 mil casos de diarreia explosiva nos EUA formam o maior episódio de doença transmitida por alimentos já registrado em território americano

03 out, 2026
FDA detecta parasita ligado a surto de diarreia explosiva | Reprodução/X/@g1
FDA detecta parasita ligado a surto de diarreia explosiva | Reprodução/X/@g1

O surto de diarreia explosiva que provocou quase 13 mil infecções nos Estados Unidos agora tem uma origem apontada. A FDA, agência que regula alimentos e medicamentos no país, anunciou nesta sexta-feira (2) ter encontrado o parasita Cyclospora em uma fazenda de alface no México, associada aos casos registrados no solo americano.

As autoridades começaram a investigar o episódio em junho e o deram por encerrado em setembro. Com o número de pessoas atingidas, ele figura como o maior caso de doença transmitida por alimentos já registrado nos Estados Unidos.

O que causa a diarreia explosiva

O quadro é conhecido como ciclosporíase e decorre da infecção pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, um parasita microscópico. Ele se instala no intestino depois que a pessoa ingere alimentos ou água contaminados e é eliminado pelas fezes humanas, podendo chegar aos alimentos por meio de água que tenha entrado em contato com esse material.



Surto de diarreia explosiva (Vídeo: reprodução/Youtube/BBC News Brasil)


De acordo com o CDC, os Centros de Controle de Doenças dos EUA, o sintoma principal é a diarreia aquosa intensa, com evacuações frequentes e, em alguns casos, explosivas. A infecção também pode causar:

  • perda de apetite;
  • perda de peso;
  • cólicas abdominais;
  • náuseas;
  • fadiga;
  • mal-estar.

O tratamento é feito com antibióticos, e a doença raramente é fatal. Sem ele, os sintomas podem durar semanas ou até meses, alternando fases de melhora e de piora.

Onde o parasita foi encontrado

Os inspetores identificaram o Cyclospora em dois pontos de uma propriedade ligada à Taylor Farms, no estado de Guanajuato: um tanque de águas residuais e uma vala de drenagem usada na área de cultivo de alface. Segundo a FDA, esses resultados, combinados com os dados epidemiológicos, trazem evidências robustas de que a unidade tem relação com o surto.

A descoberta ocorreu mais de seis semanas depois da agência enviar uma equipe ao local. Conforme a Associated Press, foi a primeira inspeção da agência na propriedade em mais de sete anos, em um cenário de redução das fiscalizações internacionais de segurança alimentar após a pandemia de Covid-19.

Resultados divergentes e posição da empresa

Em agosto, as autoridades mexicanas informaram que suas próprias análises não detectaram o parasita na alface nem na água das instalações. No mesmo período, a FDA corrigiu um resultado de laboratório que havia indicado, por engano, a presença de Cyclospora em uma amostra de alface da Taylor Farms coletada na fronteira.

Em comunicado, a Taylor Farms afirmou que a contaminação encontrada pela agência está associada a um produtor independente, que não integra mais sua rede de fornecedores. A empresa disse que suas instalações na região central do México continuam fechadas enquanto novas medidas de segurança alimentar são aplicadas.

Os protocolos estão sendo desenvolvidos com a equipe de pesquisa da companhia e abrangem todas as etapas da produção, do cultivo ao processamento dos alimentos. Mesmo com o parasita localizado, os investigadores não conseguiram determinar como ele contaminou as alfaces nem como se espalhou em quantidade suficiente para provocar milhares de infecções, causando a diarreia explosiva. A FDA encerrou a investigação depois da descoberta.

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