FDA detecta parasita ligado a surto de diarreia explosiva em fazenda de alface no México
Quase 13 mil casos de diarreia explosiva nos EUA formam o maior episódio de doença transmitida por alimentos já registrado em território americano
O surto de diarreia explosiva que provocou quase 13 mil infecções nos Estados Unidos agora tem uma origem apontada. A FDA, agência que regula alimentos e medicamentos no país, anunciou nesta sexta-feira (2) ter encontrado o parasita Cyclospora em uma fazenda de alface no México, associada aos casos registrados no solo americano.
As autoridades começaram a investigar o episódio em junho e o deram por encerrado em setembro. Com o número de pessoas atingidas, ele figura como o maior caso de doença transmitida por alimentos já registrado nos Estados Unidos.
O que causa a diarreia explosiva
O quadro é conhecido como ciclosporíase e decorre da infecção pelo protozoário Cyclospora cayetanensis, um parasita microscópico. Ele se instala no intestino depois que a pessoa ingere alimentos ou água contaminados e é eliminado pelas fezes humanas, podendo chegar aos alimentos por meio de água que tenha entrado em contato com esse material.
Surto de diarreia explosiva (Vídeo: reprodução/Youtube/BBC News Brasil)
De acordo com o CDC, os Centros de Controle de Doenças dos EUA, o sintoma principal é a diarreia aquosa intensa, com evacuações frequentes e, em alguns casos, explosivas. A infecção também pode causar:
- perda de apetite;
- perda de peso;
- cólicas abdominais;
- náuseas;
- fadiga;
- mal-estar.
O tratamento é feito com antibióticos, e a doença raramente é fatal. Sem ele, os sintomas podem durar semanas ou até meses, alternando fases de melhora e de piora.
Onde o parasita foi encontrado
Os inspetores identificaram o Cyclospora em dois pontos de uma propriedade ligada à Taylor Farms, no estado de Guanajuato: um tanque de águas residuais e uma vala de drenagem usada na área de cultivo de alface. Segundo a FDA, esses resultados, combinados com os dados epidemiológicos, trazem evidências robustas de que a unidade tem relação com o surto.
A descoberta ocorreu mais de seis semanas depois da agência enviar uma equipe ao local. Conforme a Associated Press, foi a primeira inspeção da agência na propriedade em mais de sete anos, em um cenário de redução das fiscalizações internacionais de segurança alimentar após a pandemia de Covid-19.
Resultados divergentes e posição da empresa
Em agosto, as autoridades mexicanas informaram que suas próprias análises não detectaram o parasita na alface nem na água das instalações. No mesmo período, a FDA corrigiu um resultado de laboratório que havia indicado, por engano, a presença de Cyclospora em uma amostra de alface da Taylor Farms coletada na fronteira.
Em comunicado, a Taylor Farms afirmou que a contaminação encontrada pela agência está associada a um produtor independente, que não integra mais sua rede de fornecedores. A empresa disse que suas instalações na região central do México continuam fechadas enquanto novas medidas de segurança alimentar são aplicadas.
Os protocolos estão sendo desenvolvidos com a equipe de pesquisa da companhia e abrangem todas as etapas da produção, do cultivo ao processamento dos alimentos. Mesmo com o parasita localizado, os investigadores não conseguiram determinar como ele contaminou as alfaces nem como se espalhou em quantidade suficiente para provocar milhares de infecções, causando a diarreia explosiva. A FDA encerrou a investigação depois da descoberta.
