Eleições brasileiras ganham destaque na imprensa internacional
A imprensa internacional analisou o avanço da direita, a disputa entre Lula e Flávio e os possíveis impactos do resultado para o Brasil e a América Latina
O segundo turno das eleições para presidência do Brasil está confirmado. Os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL),disputarão a próxima etapa da corrida presidencial. Flávio terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula ficou em segundo, com 45,16%.
O resultado foi repercutido por veículos internacionais, que destacaram diferentes aspectos da disputa e seus possíveis impactos pra o Brasil e para a América Latina.
Repercussão nos Estados Unidos e no Reino Unido
O The New York Times descreveu a eleição como uma disputa acirrada e ressaltou que o resultado poderá ter consequências que ultrapassam as fronteiras do Brasil. Além disso, o jornal norte-americano tembém avaliou que “Se o Sr. Bolsonaro derrotar o Sr. Lula no segundo turno, isso marcará a maior vitória até agora da direita em ascensão na América Latina” e poderia fortalecer a influência dos Estados Unidos na região, especialmente diante da proximidade do candidato com o governo de Donald Trump.

Já o britânico The Guardian adotou um enquadramento mais forte em relação a um dos candidatos, descrevendo Flávio Bolsonaro como “desafiante de extrema-direita e filho do ex-presidente caído em desgraça, Jair Bolsonaro“. O veículo também direcionou o foco a outros candidatos de direita, além de destacar o crescimento político da família Bolsonaro e seus aliados, chamando atenção para o desempenho positivo do bolsonarismo nas disputas para o Congresso e para os governos estaduais.
O avanço da direita na América Latina
O jornal espanhol El País apresentou uma avaliação ainda mais concentrada no avanço da direita. O veículo começa apontando como “A onda ultraconservadora que percorre a América Latina conquistou neste domingo, no Brasil, uma vitória crucial que promete ser definitiva em três semanas“, destacando como o candidato do PT concorria como o único candidato dos progressistas. Para o jornal, o resultado deixa o bolsonarismo mais próximo de retornar ao poder na maior potência econômica e política na região.
O argentino La Nación teve uma abordagem similar ao El País sobre o avanço da onda conservadora na América Latina. Também ressaltou como a vitória de Flávio Bolsonaro consolidaria a guinada à direita que o continente vem vivenciando e ainda comparou com vitórias similares em países como a Colômbia, Peru e Honduras. O jornal também relacionou a disputa brasileira ao cenário político latino-americano e à influência exercidade pelos Estados Unidos.
Os possíveis impactos do resultado
A emissora de TV francesa France 24 fez uma análise que foi além do desempenho dos candidatos nas urnas. Ela ressalta que mesmo se Lula ganhar o segundo turno, terá dificuldades “para fazer avançar políticas em câmaras dominadas por legisladores conservadores”. Além disso, a emissora aponta que alguns analistas relacionam o “crescimento da extrema direita” às transformações sociais provocadas pelas políticas de combate a pobreza implementadas por Lula ao longo de seus governos. Segundo essa avaliação, a expansão de uma parcela da população para a classe média baixa teria criado um eleitorado mais receptivo ao discurso da direita, que promete reduzir a presença do Estado na vida dos cidadãos.

No dia 25 de outubro, os brasileiros retornarão às urnas pra decidir quem ocupará a Presidência da República pelos próximos anos. A disputa se concetra entre a continuidade de Lula na Presidência, o que acarretará no seu quarto mandato, ou a eleição de Flávio Bolsonaro, que tenta levar novamente o bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
Alguns dos candidatos superados por Lula e Flávio incluem Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Edmilson Dias (PCB), Hertz Dias (PSTU) e Samara Martins (UP).
