Flamengo arrecada abaixo do esperado com transferências
Com o fim do contrato com a patrocinadora master após a proibição das bets, valorizar a base seria a única esperança do Flamengo para honrar dívidas
O Flamengo só arrecadou aproximadamente 70% do que tinha previsto no orçamento de 2026 com venda de atletas. A situação acende um alerta na diretoria rubro-negra, que já teria que lidar com o fim do patrocínio master após a Medida Provisória que proíbe bets de operarem no Brasil. Com as janelas de transferência das principais ligas já fechadas desde setembro, somente times da Arábia Saudita ainda podem contratar.
Vendas surpreendem negativamente
O time carioca, até o momento, fez 11 vendas, 4 delas sem custos. Nas que tiraram algum dinheiro, 4 delas renderam menos de R$ 10 milhões. Ou seja, as 8 “mais baratas” só acrescentaram, juntas, pouco mais de 20 milhões de reais aos cofres do Flamengo. Na parte de cima da tabela, mesmo a mais cara veio com asterisco. Ryan Roberto foi vendido ao Shakhtar Donetsk por R$ 56 milhões, mas o clube só detinha 70% dos direitos econômicos do jogador e acabou ficando com R$39 milhões.
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O anúncio de Ryan Roberto no Shakhtar (Foto: Reprodução/Instagram/@fcshakhtar)
A principal preocupação, nesse caso, é a pouca utilização da base. É uma conta matemática simples: o jogador que é mais utilizado acaba valendo mais. Mesmo as chamadas “joias”, jovens com muito potencial, não conseguem ser vendidos por um valor expressivo caso passem a maioria dos jogos no banco. A categoria sub-20 do Flamengo vem de uma fase extremamente dominante, faturando um Campeonato Brasileiro em 2023 e duas dobradinhas de Libertadores e Mundial, em 2024 e 2025. Mesmo assim, a diretoria, na figura do presidente do clube, o Bap, acredita que exista um “gap” de nível técnico entre as categorias de base e o elenco principal.
Situação do patrocínio master
Essa não utilização da base atrapalha o planejamento financeiro do clube de mais formas do que a simples falta de vendas. Sem jovens promessas, o Flamengo precisa recorrer a um mercado cada vez mais inflacionado para renovar o elenco e manter a alta competitividade do time. Jogadores como Samuel Lino e Lucas Paquetá são vistos como reforços essenciais para manter o nível técnico, mas custaram, respectivamente, 150 e 260 milhões, valores impraticáveis para a maioria dos clubes brasileiros. É nesse cenário que entra a importância do patrocínio master.
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Nota do Flamengo sobre a proibição das bets (Foto: Reprodução/Instagram/@flamengo)
A Betano havia fechado com o Flamengo, em agosto de 2025, o maior contrato de patrocínio da história do futebol brasileiro. Em setembro de 2026, pouco mais de um ano depois, o presidente Lula publicou uma Medida Provisória proibindo a operação de sites de apostas esportivas no Brasil e, consequentemente, a propaganda dessas bets. De um dia para o outro, o clube rubro-negro perdeu um fluxo positivo no caixa de 260 milhões de reais por ano. Agora, tenta lutar na justiça para derrubar a MP, mas os próximos capítulos dessa história continuam indefinidos.
