Governo espanhol aprova medidas contra crise habitacional
Primeiro-Ministro Pedro Sánchez aproveita dissolução de congresso para aprovar 21 medidas que a oposição tinha barrado na semana passada
Após protestos violentos em Barcelona, o governo espanhol aprovou, na última terça-feira, 6, uma série de medidas urgentes para combater a crise habitacional. O primeiro-ministro Pedro Sanchéz já tinha feito propostas parecidas na semana passada, mas não conseguiu aprovação no congresso.
Escalada da tensão
Uma onda de protestos varreu a Espanha após a expulsão de uma idosa de 87 anos, María del Carmen Abascal, de sua casa em Madri. Segundo os manifestantes, a situação criada pela especulação imobiliária tornou impossível comprar ou alugar moradia. Dados indicam que alugar um apartamento de 50 metros quadrados em Madri consome aproximadamente metade do salário médio na Espanha.
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Anúncio da morte de María del Carmen, alguns dias após seu despejo (Foto: Reprodução/Instagram/@inquilinato_madrid)
Na última segunda-feira, 5, Barcelona se tornou um campo de guerra. No centro, foram erguidas barricadas e provocados incêndios. A polícia prendeu 13 pessoas e 30 agentes ficaram feridos. A estimativa é de que havia 20.000 a 120.000 pessoas nas ruas. A marcha começou por volta das 19h30 no horário local e seguiu sem muitos incidentes até o final, 21h30. Foi no momento da dispersão que alguns manifestantes se recusaram a ir embora e o confronto com a polícia começou.
As medidas
Entre as 21 medidas aprovadas, se destacam aquelas que protegem os inquilinos vulneráveis contra o despejo, o incidente que iniciou a onda de protestos, e a proibição da compra especulativa de imóveis. O governo também deve estabelecer um fundo de 10 bilhões de euros para conceder empréstimos para compra do primeiro imóvel.
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Pedro Sánchez anunciando as eleições gerais no dia 29 de novembro (Vídeo: Reprodução/Instagram/@sanchezcastejon)
Nesta mesma semana, na segunda-feira, 5, o primeiro-ministro Pedro Sánchez dissolveu o parlamento e convocou eleições gerais para o dia 29/11. Foi uma tentativa de fortalecer o próprio governo após a oposição de direita barrar seus decretos sobre habitação. Se o congresso era antes formado por 350 membros, agora são 69. Sendo assim, ele só precisaria de 35 votos para aprovar as medidas, reduzindo a necessidade de negociar com seus opositores. Mesmo assim, ele ainda fez um apelo: “Não estamos falando de uma questão ideológica, mas de bom senso”.
