PF nega depoimento de Vorcaro sobre suposto repasse de R$ 30 milhões para filme de Lula
Em nota, corporação rebate revista Veja e afirma que banqueiro não fez declarações sobre o assunto; defesa solicita análise técnica do áudio
A Polícia Federal divulgou esclarecimento nesta sexta-feira (9/10) refutando matéria publicada pela revista Veja sobre o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a instituição, Vorcaro não realizou depoimento mencionando transferência de R$ 30 milhões para um documentário sobre o presidente Lula, nem encaminhou documentação com essas informações à PF.

PF nega depoimento de Vorcaro sobre suposto repasse de R$ 30 milhões para filme de Lula (Foto: reprodução/Site/gov.br)
A divulgação da revista e a resposta da corporação
A reportagem da Veja alegava que Vorcaro teria disponibilizado R$ 30 milhões para um filme sobre Lula e que, em contrapartida, receberia acesso aos fundos de pensão de servidores federais. A Polícia Federal, contudo, nega que o banqueiro tenha feito tal afirmação em qualquer depoimento à corporação.
A PF informou ter recebido uma notícia crime solicitando ações rápidas sobre o caso. “O expediente foi encaminhado à área técnica para adoção das providências de polícia judiciária”, comunicou a corporação. A instituição ainda esclareceu que as propostas de colaboração premiada oferecidas pela defesa de Vorcaro não foram aceitas pelo não cumprimento dos requisitos legais exigidos.
Vorcaro cita R$ 30 mi a filme de Lula, diz revista (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
Advogados de Vorcaro acionam perícia de áudio
Os defensores Marco Aurélio de Carvalho e Reinaldo Santos de Almeida protocolaram ação na Polícia Federal pedindo análise urgente do Instituto Nacional de Criminalística. Conforme os advogados, a gravação atribuída ao banqueiro pode ter sido alterada por edição de trechos ou manipulação com inteligência artificial.
Os defensores destacaram: “O material também reproduz, no suposto conteúdo, acusações que teriam sido apresentadas por Vorcaro em tentativas frustradas de colaboração premiada, não levadas adiante pela Procuradoria-Geral da República por falta de provas. Sua divulgação a apenas 16 dias da eleição levanta suspeitas de uma operação político-eleitoral destinada a atingir a candidatura de Lula”.
A defesa solicitou que o Instituto Nacional de Criminalística verifique se a gravação sofreu cortes, alterações ou se contém voz sintética. Os advogados pedem também investigação sobre como o material circulou e se houve quebra de sigilo das negociações de colaboração premiada. Se confirmada a adulteração, os responsáveis poderão responder por fraude processual, denúncia caluniosa e infrações eleitorais por propagação de informações falsas.
