Meta se pronuncia sobre alcance de Lula e nega favorecer Flávio Bolsonaro

Empresa nega interferência eleitoral e diz que problemas técnicos afetaram múltiplos mercados

11 out, 2026
Meta aponta falhas técnicas para explicar redução no alcance de Lula nas redes I Reprodução/Instagram
Meta aponta falhas técnicas para explicar redução no alcance de Lula nas redes I Reprodução/Instagram

A Meta respondeu às acusações de favoritismo político ao senador Flávio Bolsonaro (PL) atribuindo a queda de alcance das publicações da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a problemas técnicos em suas plataformas. A defesa da empresa ocorre após o partido petista acionar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) com suspeitas de interferência no processo eleitoral. O TSE estabeleceu prazo de 48 horas para que a Meta apresentasse explicações sobre as denúncias.

Em comunicado, a plataforma rejeitou a acusação e argumentou que os problemas técnicos não se restringiram ao Brasil e não atingiram exclusivamente determinadas contas. A empresa também reafirmou seu compromisso com a legislação eleitoral e com a igualdade de condições entre candidatos em suas redes sociais.

Defesa da Meta

“As alegações são simplesmente falsas e não encontram respaldo nos fatos. Muitos dos problemas técnicos mencionados não afetaram exclusivamente o Brasil ou contas específicas nas nossas plataformas. Cumprimos com as normas eleitorais e estamos comprometidos com a isonomia do uso das nossas plataformas por todos.”

Apesar da resposta, a Meta não forneceu detalhes técnicos específicos sobre quais foram as falhas, em qual período ocorreram ou se de fato impactaram outras plataformas e candidatos fora de Lula.


Lula (Foto: reprodução/ Ricardo Moreira/ Getty Images Embed)


Números do PT contestam Meta

A Secretaria Nacional de Comunicação do PT divulgou levantamento que contradiz a explicação oferecida pela empresa. O material aponta que a página de Flávio Bolsonaro registrou 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula, mesmo tendo 17,2% menos seguidores. Diante desses dados, a campanha petista intensificou sua contestação sobre as justificativas da Meta.

A equipe de Lula afirmou que:

“A empresa alega que essa ‘falha’ afetou outros anunciantes e mercados, mas não trouxe qualquer evidência disso.”

O partido também reiterou sua preocupação com o processo eleitoral:

“Fortes suspeitas de tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro em benefício da candidatura de Flávio Bolsonaro.”

O PT solicitou ao TSE informações pormenorizadas sobre a extensão das falhas alegadas pela Meta e sua ocorrência em outros mercados.

Contexto e histórico regulatório

A disputa entre a Meta e o PT reflete tensões mais amplas entre plataformas digitais e órgãos reguladores. Em janeiro de 2025, Mark Zuckerberg anunciou sua intenção de colaborar com Donald Trump contra a regulação de redes sociais, episódio que reabriu o debate sobre a atuação política das grandes tecnológicas.

A Meta carrega histórico de problemas com manipulação eleitoral. A Cambridge Analytica coletou dados de dezenas de milhões de usuários do Facebook para direcionar conteúdos políticos nas eleições presidenciais dos EUA em 2016 e no referendo do Brexit. A plataforma reconheceu essas falhas em março de 2018. Em julho de 2019, a FTC (Comissão Federal de Comércio americana) aplicou multa de US$ 5 bilhões por enganar usuários sobre questões de privacidade.

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