Brasil registra queda no trabalho infantil em 2025, mas 1,5 milhão seguem nessa condição

Redução de 9,2% frente a 2024 foi puxada principalmente por famílias do Bolsa Família, que responderam por 95% das 151 mil crianças que deixaram essa situação

16 out, 2026
Brasil tem menor número de casos de trabalho infantil em 2025, mas desafio persiste I Reprodução/Instagram
Brasil tem menor número de casos de trabalho infantil em 2025, mas desafio persiste I Reprodução/Instagram

Nesta sexta-feira (16), o IBGE divulgou que 1,499 milhão de crianças e adolescentes de 5 a 17 anos estão em trabalho infantil no Brasil em 2025. O número representa uma queda de 9,2% em relação a 2024 e marca o menor patamar desde 2016, quando a série histórica começou. Em termos absolutos, 151 mil crianças saíram dessa condição.

Em 2024, o país registrava 1,650 milhão de trabalhadores infantis, um crescimento de 2,1% ante o ano anterior. Com a recuperação em 2025, apenas 4% da população infantil trabalha, igualmente o menor índice desde que os dados começaram a ser registrados.

A queda se concentrou em domicílios que recebem assistência federal. Entre famílias beneficiárias do Bolsa Família, o número caiu de 717 mil para 573 mil crianças em trabalho infantil, uma redução de 20,1%. Essa diminuição de 144 mil crianças representou 95% de toda redução observada nacionalmente.

De 2016 para cá, o recuo acumulado chega a 28,6%. Naquele ano, 2,1 milhões de crianças e adolescentes exerciam trabalho infantil. Não há dados de 2020 e 2021 porque a coleta foi interrompida durante a pandemia.

Renda das famílias e políticas públicas

Segundo Gustavo Geaquinto Fontes, analista da pesquisa do IBGE, o cenário resulta de múltiplas causas. “A renda domiciliar per capita em 2025 aumentou, a renda do trabalho aumentou. Então, isso pode também ter contribuído para a queda do trabalho infantil. E existem políticas públicas voltadas especificamente para isso. O Bolsa Família, que garante uma renda mínima para famílias de renda mais baixa. Então, pode ser uma soma de fatores.”

O desemprego atingiu patamares mínimos em 2025, e a expansão do mercado de trabalho abriu mais oportunidades de renda para adultos de baixa renda. Esse aquecimento econômico pode ter reduzido a necessidade de crianças e adolescentes gerarem receita para a família.

Composição do trabalho infantil

Adolescentes de 16 e 17 anos formam a maioria dos trabalhadores infantis:

  • 871 mil adolescentes de 16 e 17 anos (58,1%)
  • 347 mil com 14 ou 15 anos (23,2%)
  • 281 mil na faixa de 5 a 13 anos (18,7%)

Entre essas faixas etárias, 14,5% dos adolescentes de 16 e 17 anos trabalhavam, 5,9% daqueles entre 14 e 15 anos, e 1,1% das crianças de 5 a 13 anos.

Meninos representam 65,4% do contingente, totalizando 980 mil, com queda de 10% em relação a 2024. Entre meninas, o número recuou de 561 mil para 519 mil. Crianças e adolescentes pretos ou pardos compunham 67% dos trabalhadores infantis, enquanto 32% eram brancos. Essa proporção supera o peso dos negros na população total de 5 a 17 anos, que é 59,7%.

Escola e carga horária

A frequência escolar entre crianças em trabalho infantil era de 86,9%, inferior aos 97,5% da população infantil em geral. Entre os trabalhadores infantis, 38,2% dedicavam até 14 horas semanais ao trabalho, enquanto 21,4% trabalhavam 40 horas ou mais por semana. Entre adolescentes de 16 e 17 anos especificamente, 29,6% cumpriam jornadas de pelo menos 40 horas semanais.

A informalidade continuava marcando o trabalho adolescente. Entre os de 16 e 17 anos em atividades econômicas, 67% estavam na informalidade, o equivalente a 705 mil adolescentes. Esse percentual foi o menor da série; em 2024, chegava a 69,4%.


Brasil registra queda no trabalho infantil em 2025, mas 1,5 milhão seguem nessa condição (Foto: reprodução/pixelfusion3d/Getty Images Embed)


Panorama regional

As regiões apresentavam concentrações desiguais:

  • Sudeste: 481 mil crianças (3,3%)
  • Nordeste: 408 mil crianças
  • Norte: 249 mil crianças (6,3%, o maior percentual proporcional)
  • Sul: 233 mil crianças
  • Centro-Oeste: 128 mil crianças

O que a lei define como trabalho infantil

Segundo a legislação brasileira, qualquer trabalho infantil é proibido. A proibição é absoluta até os 13 anos. De 14 a 15 anos, adolescentes podem trabalhar como aprendiz, o que não é enquadrado como trabalho infantil. De 16 a 17 anos, o trabalho é permitido apenas com carteira assinada e fora de atividades irregulares, perigosas ou de turno noturno.

O IBGE considera trabalho infantil toda atividade prejudicial à saúde ou educação “em todas as suas formas e espaços de ocorrência”. Em 2025, 1,808 milhão de pessoas entre 5 e 17 anos exerciam atividades econômicas ou produziam para consumo próprio; desse total, 1,499 milhão foi enquadrado como trabalho infantil conforme critérios de idade, jornada, frequência escolar, tipo de atividade e formalidade. Os resultados estão classificados como estatísticas experimentais, ainda em avaliação.

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