Flávio Bolsonaro diz que manterá fim da escala 6×1, planeja um único mandato e comenta prisão de aliados no RJ

Candidato do PL também cobrou impeachment de Alexandre de Moraes, falou sobre ajuste fiscal e se disse surpreendido com prisões de aliados no Rio

17 out, 2026
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Agència Brasil/@Bruno Peres
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Agència Brasil/@Bruno Peres

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, concedeu entrevista à Globo na sexta-feira (16), conduzida pela jornalista Renata Lo Prete. Na ocasião, reafirmou o compromisso de manter o fim da escala 6×1, aprovado pelo Congresso na mesma semana, declarou pretender apenas um mandato presidencial e negou que ofereça cargos ao pai, Jair Bolsonaro, ou ao irmão Eduardo em eventual governo.

Sobre a mudança de posição em relação à escala de trabalho, Flávio explicou a decisão por meio do contato direto com eleitores. “Eu rodei o Brasil inteiro, ouvi muitos trabalhadores e votei conforme o que vi nas ruas. Como ouvi da grande maioria dos trabalhadores que eles estavam a favor do fim da escala 6×1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros”, declarou.

O candidato associou a folga extra a questões estruturais do país. “O problema é que, durante essa folga, com mais um dia de folga, você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado. Com um dia a mais de folga, você vai continuar indo dormir preocupado porque você está devendo e o seu salário não está durando até o dia 30, está durando só até o dia 20. Então, eu vou ser um presidente da República que, além de respeitar e garantir essa folga a mais para os trabalhadores, vou fazer de tudo para devolver o poder de compra do povo brasileiro e devolver a segurança nas ruas para que todos possam andar com mais segurança”, afirmou.

Mandato e familiares

Flávio reiterou que não buscaria reeleição e permaneceria por apenas um mandato, mesmo sem aprovação de mudanças constitucionais. Quanto à possibilidade de parentes concorrerem à sua sucessão, rejeitou apoiar alterações nas regras, lembrando que a legislação atual considera parentes até terceiro grau como reeleição.

Sobre a participação da família em um eventual governo, foi direto. Afirmou que um cargo para Jair Bolsonaro “não está no radar” e negou ter conversado com o pai sobre participação administrativa. Quanto a Eduardo, respondeu sem hesitar: “Não, ele não vai ser meu chanceler”, quando questionado especificamente sobre o ministério das Relações Exteriores. Ainda assim, defendeu o irmão como vítima de perseguição política.


Flávio Bolsonaro promete manter fim da escala 6×1 (Vídeo: reprodução/YouTube/g1)


Ajuste fiscal e cortes

Flávio rejeitou reduzir investimentos em saúde e educação para viabilizar o ajuste fiscal de R$ 200 bilhões. Afirmou não pretender modificar a Constituição para eliminar pisos nessas áreas. “Importante suas perguntas, porque têm circulado, de fato, muitas fake news, e esse é um importante momento para esclarecê-las, porque o meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo”, disse sobre o tema.

O plano do candidato inclui cortar ao menos dez ministérios, combater corrupção e má gestão nas estatais, vender imóveis federais, securitizar dívidas e explorar petróleo na Margem Equatorial. Sobre a securitização, Flávio mencionou que os R$ 3 trilhões de dívidas a receber podem gerar mais de R$ 200 bilhões anuais. Também prometeu manter o aumento real do salário mínimo acima da inflação e não desvincular o reajuste das aposentadorias dessa base.

Supremo Tribunal Federal e Judiciário

Flávio pediu impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Acusou-o de interferir em diversos assuntos e perseguir adversários políticos. “Do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal. Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo”, declarou.

Criticou também a credibilidade do Poder Judiciário, afirmando que amigos de Lula no STF se protegem de investigações. Mencionou que Kassio Nunes Marques também deveria ser investigado e reiterou que “todo mundo tem que estar abaixo da lei”.

Investigações e aliados presos

Flávio declarou surpresa com investigações e prisões de políticos aliados no Rio de Janeiro.

Frisou que as pessoas têm direito de se defender e comprovar inocência, mas afirmou que ninguém deve ficar impune. “Se alguém cometeu algo de errado, terá que responder por isso”, complementou.

Sobre o financiamento do filme Dark Horse, Flávio respondeu que pediu R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro porque o contrato não foi cumprido. Afirmou ter conversado com vários investidores antes de Vorcaro e que a produtora prestou contas sobre o filme. Negou ter oferecido contrapartidas em razão do cargo que ocupava. A Polícia Federal investiga se houve lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas nesse financiamento.

Ataques de janeiro de 2023 e outras posições

Quando questionado sobre os ataques de 8 de janeiro de 2023, Flávio defendeu punição na proporção dos crimes cometidos. Considerou inaceitáveis depredação de patrimônio público e agressão a policiais, mas questionou a caracterização dos atos como tentativa de golpe, mencionando pessoas que estariam vendendo algodão doce durante os eventos.

Acusou o presidente Lula de prejudicar a gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por divergências políticas. Ao ser perguntado novamente sobre punição a quem destruiu patrimônio, respondeu que quem está depredando o Brasil é Lula.

Flávio afirmou que respeitaria o resultado das urnas se perdesse a eleição e que disputaria conforme as regras vigentes. Também defendeu ampliar o acesso da população a armas e criticou o Estatuto do Desarmamento, prometendo mobilizar militares e polícias estaduais para combater o narcotráfico.

A entrevista integra a cobertura do segundo turno das Eleições 2026. O presidente Lula (PT) havia sido entrevistado na quinta-feira (15). A ordem das entrevistas foi definida por sorteio com representantes das campanhas.

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