André Mendonça relatará pedido de Lula para quebrar sigilos do presidente e de Flávio
Ministro vice-presidente do TSE recebeu o requerimento da campanha petista, apresentado terça-feira, que condiciona divulgação de dados financeiros à reciprocidade do candidato do PL
André Mendonça, vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foi sorteado para relatar a ação da campanha de Lula pedindo a liberação do sigilo fiscal e bancário de suas contas e de Flávio Bolsonaro. O requerimento foi protocolado na terça-feira (20), materializando um desafio que o presidente havia feito durante debate na Band no domingo (18) anterior.
Lula apresentou duas ações naquele dia: uma no TSE, onde Mendonça agora atua, e outra no Supremo Tribunal Federal (STF), cuja relatoria ainda não foi definida. O advogado Angelo Ferraro, representante da campanha, informou que ambas as petições foram encaminhadas ao presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, e ao presidente do STF, Edson Fachin.
O pedido abrange informações dos últimos oito anos de Lula, além de dados da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, e de seus filhos Lurian, Marcos Cláudio, Fábio Luís (Lulinha), Sandro Luís e Luís Claudio.
Condição recíproca
O diferencial do requerimento é que Lula condicionou a divulgação de seus dados à ação idêntica de Flávio Bolsonaro. Michelle Bolsonaro não foi incluída no pedido por não ser parente direto de Flávio.
A campanha petista solicitou ainda a quebra de sigilo de pelo menos cinco empresas das quais Flávio seria sócio, incluindo a Alcazar Holdings, com sede na Ilha da Madeira, em Portugal. O advogado Wiiler Tomaz, próximo ao candidato, consta como um dos proprietários dessa empresa.
Emails obtidos pela Polícia Federal indicam que Flávio compartilhava uma conta no Santander com Tomaz, relacionada a essa empresa. Uma das comunicações aponta que o candidato do PL seria ‘usuário master’ da conta. Ambos negam.
André Mendonça relatará pedido de Lula para quebrar sigilos do presidente e de Flávio (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)
Histórico e motivação
Entre as empresas de Lula está a LILS, aberta em 2011 para gestionar suas atividades de palestras. Conforme os registros, o presidente figura como sócio não administrador.
O desafio emergiu após críticas de Flávio que acusou o governo e Fábio Luís de envolvimento em corrupção. Durante o debate, Lula respondeu dizendo que a abertura de sigilos serviria para identificar quem seria “ladrão”.
