Comentários sobre protestos na França enfurecem Macron
Após ouvir falas de líderes estrangeiros o presidente francês se posiciona em comitiva e diz que repudia as opiniões sobre os protestos no país
Em resposta aos líderes estrangeiros, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse repudiar os comentários “inaceitáveis e estúpidos” nesta quarta-feira, dia 21 de outubro, feitos por eles em relação aos protestos violentos que ocorreram nas ruas francesas durante o fim de semana. Quando questionado se estava falando sobre o atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Macron respondeu que sim, mas que também se referia a outros políticos.
“Para mim, não há interferência estrangeira evidente nos acontecimentos que ocorreram. Por outro lado, houve manipulação estrangeira de informações posteriormente, sim, e isso deu origem a comentários inaceitáveis e estúpidos de muitas pessoas, inclusive de líderes estrangeiros. (…) Houve pessoas afirmando que fomos invadidos por hordas de migrantes e islamitas, o que é completamente falso”, disse o presidente francês durante uma coletiva de imprensa.
De onde surgiram os comentários estrangeiros
Hoje, a segunda maior economia da União Européia, a França presenciou alguns dos piores episódios de violência urbana dos últimos anos em protestos que ocorreram nas ruas do país inteiro. A movimentação, que dura desde setembro deste ano, ocorre a apenas seis meses antes das eleições presidenciais.
Vários líderes, como o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e figuras da extrema direita na Europa se manifestaram após assistirem às imagens de saques e incêndio em prédios públicos franceses que vem correndo pela internet no mundo inteiro.
Trump afirmou, nesta segunda feira, dia 19 de outubro, que a França está sendo “conquistada, saqueada e reduzida a cinzas por migrantes, jihadistas e comunistas” e que, caso os democratas vencessem as eleições de meio de mandato (ou as chamadas midterms), marcadas para o dia 3 de novembro, os EUA “queimariam” o país europeu.
A França também foi chamada de “refúgio do islamismo extremista” por Benjamin Netanyahu. Ambos políticos vão passar por eleições legislativas decisivas nas próximas semanas.
“Há pessoas que estão fazendo campanha às custas da França. Quando vejo líderes em campanha, tanto na região quanto do outro lado do Atlântico, às vezes adotando ou reproduzindo ingenuamente informações geradas por inteligência artificial, fica claro que determinados grupos querem espalhar desinformação sobre o que aconteceu na França às nossas custas”, disse Emmanuel Macron na coletiva.
Protesto estudantil na França (foto: reprodução/getty images embed/FRED TANNEAU)
O que vem acontecendo na França
Os protestos reuniram entre 550 e 800 mil pessoas no sábado pelas ruas francesas para denunciar o aumento do custo de vida e exigir melhores condições para os estudantes do ensino médio.
Entre 2018 e 2019, o movimento dos “coletes amarelos” abalou o primeiro mandato de Macron e os estudantes convocaram novas manifestações para o próximo sábado, dia 24 de outubro.
A mobilização policial “em massa” já foi anunciada pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, que afirma tomar essas medidas para evitar novos distúrbios e críticas.
Com o objetivo de obter um relatório detalhado sobre “o que exatamente aconteceu no sábado, 17 de outubro”, Macron anunciou que vai reunir os serviços de inteligência, Lecornu e vários ministros.
O governo utilizou novas medidas de segurança, como emitir toques de recolher na segunda e na terça-feira à noite, porém, ainda enfrenta a pressão de sindicatos e da oposição da esquerda para responder ao descontentamento social.
Após Lecornu se reunir na quarta-feira, dia 21 de outubro, com as principais forças sindicais, a líder da central sindical CGT, Sophie Binet, ao chegar disse: “Vamos dizer, em resumo, que a uma mobilização social não se responde com repressão”, mas sim “com respostas políticas às reivindicações”. O primeiro-ministro afirma que espera fazer anúncios sobre as demandas estudantis na próxima semana.
