Equipes de Lula e Flávio Bolsonaro concordam em abrir sigilos, mas aguardam aval de Mendonça
Ambos os candidatos autorizam abertura total e simultânea de dados bancários, fiscais e telefônicos em plataforma pública, com despacho ainda pendente do ministro André Mendonça
As campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) formalizaram, nesta quinta-feira (22), um acordo para a abertura total e simultânea dos sigilos dos dois candidatos à Presidência da República. O documento será encaminhado ao ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), responsável por analisar e autorizar as medidas solicitadas.
O senador Camilo Santana apresentou o acordo à imprensa. O texto foi assinado por Lula e por Maria Claudia Bucchianeri, coordenadora da equipe jurídica da campanha de Flávio Bolsonaro. Conforme o documento, as autorizações deverão ser encaminhadas ao tribunal até as 23h59 desta quinta-feira, com previsão de divulgação simultânea das informações.
Acordo prevê divulgação pública dos dados
O documento estabelece que a abertura dos sigilos ocorra de forma imediata e integral para os dois candidatos. A medida abrange informações bancárias, fiscais e telefônicas, além de dados relacionados às autorizações já apresentadas em nome dos candidatos, de familiares e de empresas.
O texto também solicita que André Mendonça determine a requisição de informações ao Banco Central do Brasil, às instituições financeiras, à Receita Federal e às operadoras de telefonia. A divulgação poderá ocorrer pelo sistema DivulgaCandContas ou por outro endereço eletrônico de acesso público, conforme a decisão do ministro.
A iniciativa formaliza o compromisso assumido pelas duas campanhas em relação à abertura dos sigilos. A efetivação das medidas, entretanto, depende da análise do pedido e das determinações da Justiça Eleitoral.
Equipes de Lula e Flávio Bolsonaro concordam em abrir sigilos (Vídeo: reprodução/YouTube/Itatiaia)
Lula pede inclusão de dados da Alcazar Holdings
Embora tenha concordado com a abertura de seus próprios sigilos, Lula também apresentou uma solicitação específica envolvendo a Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira e ligada ao advogado Willer Tomaz. A petição da campanha petista pede que os registros relacionados à companhia sejam incluídos no acordo firmado com Flávio Bolsonaro.
Segundo investigações da Polícia Federal mencionadas no documento, o senador figurava como usuário master de uma conta da Alcazar em uma instituição financeira privada. O vínculo teria sido encerrado em maio de 2025.
Na manifestação encaminhada ao tribunal, Lula questionou a possibilidade de os dados da empresa ficarem de fora da divulgação e declarou: “Se, como [o candidato do PL] afirma, nada tem a esconder, não há razão para que a conta da Alcazar fique fora das gavetas que ele mesmo propôs abrir. Quem não deve, não recorta”.
A petição também cita uma viagem de Flávio Bolsonaro em um jato executivo pertencente à empresa de Willer Tomaz. Até o momento, o candidato do PL não se pronunciou sobre o pedido específico de inclusão da Alcazar Holdings no acordo.
A abrangência da divulgação relacionada à empresa dependerá da análise do pedido apresentado por Lula e das decisões do ministro André Mendonça.
