José Aldo conta o que ouviu após derrota para McGregor e explica por que não houve revanche
Em participação no 400º episódio do podcast Mundo da Luta, o ex-campeão do UFC também compartilhou influências de Pedro Rizzo, sua volta ao grappling e momentos cruciais em sua trajetória
José Aldo abriu seu coração em entrevista ao podcast Mundo da Luta, que atingiu seu 400º episódio esta semana, explicando por que chorou nos bastidores após a derrota para Conor McGregor. O motivo não foi apenas a perda em si, mas a comunicação de Dana White informando que não haveria luta de revanche, já que McGregor não conseguia mais fazer peso na divisão pena.
“Só que quando o Dana chega e fala para mim que o Conor não consegue mais bater o peso, ele não tem mais essa luta para fazer, entendeu? Que ele ia subir pro leve, porque ele não aguentava mais bater o peso-pena, que era a última vez que ele tava batendo se ele ganhasse ou perdesse. Por isso que eu chorava!”
Para o ex-campeão do UFC, a derrota refletiu o mérito técnico do irlandês ao acertar um golpe decisivo durante o combate. Aldo afastou a possibilidade de ter sido abalado psicologicamente pelas provocações pré-luta de McGregor, destacando que estava ciente das estratégias empregadas no octógono.
“Não foi erro meu, foi muito mais mérito dele mesmo de ter conectado um golpe. Ele foi muito feliz na ação dele de conectar um bom golpe e pegar.”
“Eu chorei muito porque na minha cabeça, depois que eu perdi, eu penso: ‘Vai ter uma revanche porque eu era um campeão dominante’.”
Aldo mantém hoje uma relação harmoniosa com McGregor e encerra qualquer narrativa de provocação mental anterior ao combate. Ele compreende a derrota como parte natural da história competitiva entre os dois.
Retorno ao tatame
Após oficializar sua saída do MMA, Aldo participou de um duelo de grappling contra Marlon Vera no Equador há alguns meses, encerrando o embate empatado. Afastado da academia por quase dois anos, o manauara dedicou apenas três semanas de treinamento para o desafio. A altitude do local influenciou seu desempenho na luta.
“Fazia quase dois anos que eu não entrava na academia, não treinava, não fazia nada, só jogando tênis e futevôlei. Mas essa luta de grappling para mim é uma coisa muito tranquila. Treinei três semanas e fui lá, e fiz uma luta tranquila.”
O grappling representou para Aldo uma oportunidade de exibir seu trabalho no tatame sob uma perspectiva diferenciada, particularmente sua capacidade no jiu-jitsu.
“Eu queria mostrar o jiu-jitsu, acho que até hoje todo mundo não sabia ou não sabe, não tem noção como que é o meu jiu-jitsu, se eu sou bom ou não.”
José Aldo relembra conversa após derrota para McGregor (Vídeo: reprodução/YouTube/Combate)
As influências que moldaram sua carreira
Pedro Rizzo foi a figura central na formação do estilo de luta de José Aldo desde o princípio de sua trajetória profissional. O ex-campeão elegeu Rizzo como seu ídolo e traçou um caminho similar dentro do octógono, nutriindo o sonho de lutar no UFC desde o começo.
“Quando eu começo a minha carreira, eu começo mirando no Pedro Rizzo. Era meu ídolo, era o cara que eu queria ser, era o cara como que eu iria lutar, eu queria nocautear todo mundo.”
Aldo também rememorou uma anedota envolvendo sua celebração após nocautear Chad Mendes em seu primeiro duelo no Rio de Janeiro. Emocionado, o lutador correu em direção à torcida para comemorar e acabou caindo em um buraco durante o trajeto. Suas comemorações se inspiravam em gestos de jogadores de futebol.
Durante o confronto com McGregor, Aldo estava completamente atento às estratégias em jogo. Seu treinador Rodrigo Ruas havia gritado instruções relativas à guarda canhota do adversário. Apesar da pressão do momento, Aldo entrou na luta com plenitude de consciência tática.
O ex-campeão acredita que receberá futuros convites para disputas de grappling e demonstra interesse em aceitar esses desafios. Aldo segue ativo em competições que se afastam do formato tradicional do MMA.
