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Incêndio em prisão na Colômbia deixa ao menos 49 mortos e 30 feridos

28 Jun 2022 - 14h23 | Atulizado em 28 Jun 2022 - 14h23
Incêndio em prisão na Colômbia deixa ao menos 49 mortos e 30 feridos

O número de detentos mortos já são 49 e trinta ficaram feridos na madrugada desta terça-feira (28), em um incêndio provocado pelos próprios preso na penitenciária de Tuluá, município no sudoeste da Colômbia, informaram as autoridades.

Os presos do pavilhão do presídio municipal viveram uma grande trágedia, quando atearam fogo em seus colchonetes para impedir a entrada da polícia após uma tentativa de fuga ou para "encobrir alguma situação", disse à AFP o general Tito Castellanos, diretor do Instituto Nacional Penitenciário e Carcerário (Inpec).

"Infelizmente há uma rebelião no pavilhão número oito da prisão de Tuluá, onde há 1.267 presos, com um lamentável resultado de 49 mortes", disse o oficial à La W Radio.


Penitenciária de Tuluá, município no sudoeste da Colômbia (Foto: Reprodução/Ernesto Guzmán Jr./EFE)


Segundo disse Castellanos, os internos morreram no incêndio causado por volta das 2 horas da madrugada."Ao atear fogo aos colchonetes (os presos) não mediram as consequências", explicou o general em entrevista à rádio RCN. "O Corpo de Bombeiros de Tuluá já controlou a situação", acrescentou.

Há mais 30 pessoas "feridas e afetadas pela conflagração e pela fumaça", entre eles seis guardas que ajudaram a retirar os detentos, disse Castellanos, que não forneceu informações sobre presos foragidos. Muitos dos parentes dos presos  aguardavam do lado de fora do presídio, por notícias sobre seus parentes.

"Não sei de nada. O Inpec não quer nos deixar entrar", reclamou, entre lágrimas, María Eugenia Rojas, mãe de Luis Miguel Rojas, que estava detido no pavilhão onde o motim começou, à Caracol Television, - Poderia ser "pior" -

Agora as autoridades estão avaliando várias hipóteses, desde uma "tentativa de fuga" até distúrbios provocados "para encobrir alguma situação", de acordo com o relatório oficial. Onde as chamas começaram tinha 180 detentos, para impedir a entrada da polícia no pavilhão. Os agentes tentaram controlar o incêndio com extintores do local, ainda conseguiram retirar dezenas de presos com vida. "Se não, o resultado teria sido pior do que este que temos atualmente", enfatizou Castellanos. Segundo o general, o presídio abrigava 1.267 detentos, 17% a mais que a sua capacidade.

A perícia agora está trabalhando para identificar das vítimas. O recém eleito presidente da Colômbia, Gustavo Petro, expressou suas condolências aos familiares das vítimas no Twitter e pediu "um repensar completo da política carcerária diante da (...) dignidade do preso".

"O Estado colombiano encara a prisão como um espaço de vingança e não de reabilitação", acrescentou o esquerdista, que assumirá o cargo em 7 de agosto, evocando a morte de 23 presos durante um motim na prisão La Modelo, em Bogotá, em março de 2020.

O atual presidente Iván Duque, por sua vez, citou o ocorrido no Twitter, sem mencionar números. "Lamentamos os acontecimentos ocorridos no presídio de Tuluá (...) Dei instruções para realizar investigações para esclarecer essa terrível situação. Minha solidariedade às famílias das vítimas", escreveu o presidente.

O sistema penitenciário colombiano abriga 97.426 presos. A superpopulação é de 16.251, segundo o Inpec.

Foto destaque: Incêndio penitenciária de Tuluá. Reprodução/Site Instituto Nacional Penitenciário e Carcerário)