Lula adia definição de indicado ao STF e tenta reorganizar articulação política

Presidente avalia nomes e busca apoio no Senado após desgaste recente antes de formalizar nova indicação ao Supremo Tribunal Federal

05 maio, 2026
Lula discursando em evento | Reprodução/Instagram/@lulaoficial
Lula discursando em evento | Reprodução/Instagram/@lulaoficial

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva indicou a auxiliares que pretende definir uma nova indicação ao Supremo Tribunal Federal após retornar de viagem aos Estados Unidos, prevista para esta semana. A sinalização ocorre poucos dias depois da rejeição do nome de Jorge Messias pelo Senado, em um episódio raro que expôs desgaste político entre o governo e o Congresso.

Segundo interlocutores, Lula deve embarcar na quarta-feira (6) para se reunir com Donald Trump e retornar ao Brasil no fim de semana. A ideia, no entanto, é deixar a definição do novo nome para depois da viagem, em meio a tentativas de reorganizar a estratégia política após a derrota no Senado.

Reorganização após derrota

A rejeição de Jorge Messias, considerada histórica, forçou o governo a recalibrar sua articulação política em torno do Supremo Tribunal Federal. Internamente, a avaliação é que Lula precisa reorganizar o cenário antes de avançar com um novo indicado, evitando repetir o desgaste recente com o Congresso.

Nesse contexto, o presidente pretende se reunir novamente com o próprio Messias para discutir seus próximos passos dentro do governo. Uma das possibilidades em análise é que o atual advogado-geral da União seja deslocado para outro cargo, como o Ministério da Justiça, permanecendo em evidência política para uma eventual nova indicação no futuro.


 

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Prédio do STF em Brasília (Foto: reprodução/Instagram/@naoinviabilize)


Além disso, Lula também quer retomar o diálogo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, peça-chave no processo de aprovação de ministros do Supremo. A ideia é medir o clima político e avaliar a viabilidade de um novo nome antes de formalizar qualquer indicação, tentando evitar um novo revés no plenário.

Novos nomes na mesa

Nos bastidores, ao menos três nomes são considerados para a vaga aberta no Supremo Tribunal Federal. Entre eles estão a ministra do Planejamento, Simone Tebet, a advogada Carol Proner e a procuradora federal Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha, ligada à Advocacia Geral da União.

A definição, no entanto, ainda depende de uma combinação de fatores políticos, incluindo o nível de aceitação no Senado e o momento mais adequado para envio do nome. O próprio vice presidente Geraldo Alckmin já indicou que a intenção do governo é resolver a indicação ainda em maio, mas o calendário pode ser ajustado conforme a evolução das negociações.

A movimentação reforça que a escolha para o Supremo Tribunal Federal deixou de ser apenas uma decisão jurídica e passou a ser um teste direto de força política entre Executivo e Legislativo. Após a derrota no Senado, Lula tenta transformar a próxima indicação em um movimento mais calculado e, principalmente, viável.

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