Futebol brasileiro inicia primeira janela de 2026 sob impacto de transfer ban

Período de negociações segue aberto até o início de março; porém, nove clubes brasileiros começam a temporada de 2026 impedidos de registrar novos atletas

05 jan, 2026
Corinthians ganhou Copa do Brasil 2025 | Repeodução/Getty Images Embed/Buda Mendes
Corinthians ganhou Copa do Brasil 2025 | Repeodução/Getty Images Embed/Buda Mendes

A primeira janela de transferências do futebol brasileiro em 2026 foi oficialmente aberta nesta segunda-feira, 5 de janeiro, dando início a um período decisivo para o planejamento esportivo dos clubes. Até o dia 3 de março, as equipes estão autorizadas a registrar jogadores por meio de compra, empréstimo ou mesmo a inscrever atletas que tenham rescindido contrato dentro do prazo regulamentar previsto nos regulamentos nacionais e internacionais.

Tradicionalmente vista como um momento de ajustes e reformulações, a abertura do mercado ocorre em meio a um cenário desigual. Enquanto parte dos clubes trabalha de forma ativa em busca de reforços, outras equipes iniciam a temporada limitadas por sanções impostas pela Fifa, que impedem a inscrição de novos atletas e afetam diretamente o andamento dos projetos esportivos.

Regras da janela e limites para os clubes

Durante o período da janela, as diretorias podem registrar jogadores no Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, etapa obrigatória para que os atletas estejam aptos a atuar oficialmente. Além das transferências tradicionais, também é permitido regularizar jogadores livres no mercado, desde que a rescisão contratual ocorra dentro do intervalo estabelecido.

No entanto, essas possibilidades não se aplicam a todos. Nove clubes brasileiros iniciam a janela sob transfer ban da FIFA, uma punição aplicada em decorrência de pendências financeiras não resolvidas. Enquanto a sanção estiver em vigor, as equipes ficam impedidas de registrar atletas, mesmo que contratos já tenham sido assinados ou acordos estejam encaminhados.

A liberação ocorre somente após o pagamento integral das dívidas ou o cumprimento das decisões judiciais ou administrativas que motivaram a punição. Até lá, qualquer movimentação no mercado fica, na prática, paralisada do ponto de vista esportivo.

Corinthians e Botafogo entre os punidos

Entre os clubes afetados estão duas das principais marcas do futebol nacional: Corinthians e Botafogo. O time paulista enfrenta um débito estimado em cerca de R$ 40 milhões com o Santos Laguna, do México, referente à contratação do zagueiro Félix Torres. Já o Botafogo entrou oficialmente no transfer ban em 30 de dezembro, em razão de uma pendência financeira de aproximadamente R$ 115 milhões relacionada à negociação do meia Thiago Almada com o Atlanta United, dos Estados Unidos.

Além deles, a lista no futebol masculino inclui Ponte Preta, Amazonas, Ipatinga-MG, Miramar-PB e Colorado-PR, este último punido desde janeiro de 2020. No futebol feminino, Avaí Kindermann e Real Brasília-DF também aparecem entre os clubes impedidos de registrar jogadoras.

O impacto dessas sanções vai além da burocracia. Em alguns casos, atletas já contratados não podem ser utilizados em competições oficiais, enquanto em outros as comissões técnicas são obrigadas a trabalhar com elencos reduzidos ou recorrer às categorias de base como solução emergencial.


Botafogo de John Texto está punido pela FIFA (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Ruano Carneiro)


Planejamento afetado e próximos passos

O transfer ban representa um obstáculo relevante para o planejamento esportivo e financeiro das equipes punidas, especialmente em um calendário cada vez mais exigente. A limitação força ajustes de rota, posterga reforços e pode comprometer o desempenho ao longo da temporada, sobretudo nos primeiros meses de competição.

Para os clubes liberados, a janela segue como uma oportunidade estratégica de qualificar os elencos, corrigir carências e antecipar movimentos visando o restante do ano. Já para os punidos, a prioridade passa a ser a regularização das pendências junto à FIFA, a fim de recuperar a capacidade de atuação no mercado.

A segunda janela de transferências do futebol brasileiro em 2026 já tem datas definidas e será realizada entre 20 de julho e 11 de setembro, período que pode servir como alternativa para os clubes que não conseguirem se organizar financeiramente neste primeiro momento. Até lá, o mercado segue aquecido, mas com restrições que evidenciam os desafios da gestão no futebol nacional.

Mais notícias