Israel anuncia nova fase militar em Gaza sob críticas internacionais
Durante negociações por um possível cessar-fogo, Israel ordenou a evacuação imediata de áreas no sul da Faixa de Gaza. A determinação inclui Khan Younis, cidade densamente habitada por palestinos deslocados. As Forças de Defesa de Israel (IDF) classificaram o local como uma “zona de combate perigosa que já foi alertada diversas vezes”. As instruções direcionam […]
Durante negociações por um possível cessar-fogo, Israel ordenou a evacuação imediata de áreas no sul da Faixa de Gaza. A determinação inclui Khan Younis, cidade densamente habitada por palestinos deslocados. As Forças de Defesa de Israel (IDF) classificaram o local como uma “zona de combate perigosa que já foi alertada diversas vezes”. As instruções direcionam a população civil para Al-Mawasi, estreita faixa litorânea do enclave.
Ofensiva visa controlar grande parte do território
De acordo com um oficial israelense ouvido pela CNN, o objetivo militar é ocupar 75% de Gaza nos próximos dois meses. O plano forçaria mais de dois milhões de pessoas a se concentrarem em uma pequena porção do território, sob forte presença das tropas israelenses. Desde outubro de 2023, o governo de Benjamin Netanyahu afirma que a campanha visa desmantelar o Hamas após os ataques de 7 de outubro.
Com cinco divisões atuando em solo, Israel mantém operações terrestres contínuas em múltiplas frentes. O chefe do Estado-Maior das IDF, Eyal Zamir, afirmou: “Vocês estão lutando na frente central do Estado de Israel. Esta é uma guerra prolongada e multiarena.” O movimento é visto por críticos como uma expansão de domínio territorial, agravando o sofrimento civil em meio ao bloqueio e à destruição em massa.
O gabinete de imprensa do Hamas declarou que Israel já domina “efetivamente” 77% da Faixa de Gaza. Segundo o comunicado, o uso de armamento pesado e políticas de retirada forçada impede os civis de retornarem a suas casas. A denúncia reforça a percepção de que a ofensiva não tem se limitado à neutralização de alvos militares, mas à transformação do equilíbrio populacional e geográfico do enclave.
Ataques em Gaza. (Foto: Jack Guez/AFP/Getty Images Embed)
Aliados adotam sanções e revisam acordos
A pressão externa tem aumentado. O Reino Unido suspendeu negociações comerciais e sancionou colonos da Cisjordânia. França e Canadá ameaçaram adotar medidas similares, enquanto a União Europeia reavalia seu Acordo de Associação com Israel. O chanceler alemão Friedrich Merz afirmou que as ações “não podem mais ser justificadas com base na luta contra o terrorismo do Hamas”. Já os EUA reiteraram apoio irrestrito a Israel.
Apesar das críticas globais, Washington reforçou sua aliança com Tel Aviv. A secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, reuniu-se com Netanyahu e elogiou sua liderança na condução do conflito. Segundo nota do governo israelense, a visita reforça o “comprometimento mútuo com a segurança e estabilidade regional”. A postura norte-americana contrasta com o crescente apelo humanitário de diversas entidades internacionais.
A ofensiva planejada aumenta o risco de uma crise humanitária de grandes proporções. Organizações humanitárias alertam para a superlotação de Al-Mawasi e a escassez de recursos básicos. A comunidade internacional acompanha com apreensão o desdobramento das operações, temendo novas violações aos direitos civis. A busca por um cessar-fogo definitivo, porém, ainda parece distante diante da escalada militar em curso.
