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20 mulheres podem ter sido vítimas de anestesista em outra maternidade

14 Jul 2022 - 09h20 | Atulizado em 14 Jul 2022 - 09h20
20 mulheres podem ter sido vítimas de anestesista em outra maternidade

Giovanni Bezerra era plantonista no Hospital da Mãe de Mesquita.

Segundo a Secretaria de Saúde Estadual (SES), Giovanni Quintella Bezerra dava expediente no Hospital Estadual da Mãe de Mesquita. Agora a Deam, Delegacia de Atendimento à Mulher, de São João de Merití, irá investigar se pelo menos 20 mulheres podem ter sido vítimas do anestesista.

De acordo com a delegada Bárbara Lomba, titular da Deam, Giovanni é um criminoso em série e entre as ações criminosas está inclusa violência obstétrica.

A gente já sabe que a sedação era desnecessária. Acredito que ele as sedava para cometer o crime. Por conta disso, ele já comete também uma violência obstétrica por conta da sedação desnecessária. Pela repetição, são ações criminosas que observamos e, pela característica compulsiva das ações dele, podemos dizer que ele é um criminoso em série”.

A delegada também conversou com a vítima do anestesista nesta quarta-feira (13), ela conta que está “indignada, revoltada e chateada com tudo que aconteceu”.

O médico foi levado para a Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, após a justiça converter sua prisão de flagrante para preventiva. A unidade é destinada para quem tem nível superior.


Giovanni Bezerra foi levado algemado da Deam de São João de Merití. (Reprodução/TV Globo)


“A gravidade da conduta é extremamente acentuada. Tamanha era a ousadia e intenção do custodiado de satisfazer a lascívia, que praticava a conduta dentro de hospital, com a presença de toda a equipe médica, em meio a um procedimento cirúrgico. Portanto, sequer a presença de outros profissionais foi capaz de demover o preso da repugnante ação, que contou com a absoluta vulnerabilidade da vítima, condição sobre a qual o autor mantinha sob o seu exclusivo controle, já que ministrava sedativos em doses que assegurassem a absoluta incapacidade de resistir”, afirmou a juíza Rachel Assad.

Giovanni ficará preso por tempo indeterminado, com sua situação sendo reavaliada se ultrapassar 90 dias.

Presos de alguns casos que repercutiram nacionalmente estão na unidade, como Jairinho, que está aguardando o julgamento pela morte do enteado Henry Borel Medeiros, de 4 anos.

Ao chegar no local, por volta de 21h15, o anestesista foi recebido com vaias e xingamentos pelos detentos. Eles sacudiram as grades como forma de protesto.

Foto destaque: O anestesista Giovanni Bezerra, após ser preso durante o plantão por estupro de paciente. (Reprodução/Agência O Globo)