Saúde e Bem Estar

ASMR e musicoterapia podem ser novos tratamentos contra ansiedade e gerar bem-estar

13 Mai 2022 - 10h00 | Atulizado em 13 Mai 2022 - 10h00
ASMR e musicoterapia podem ser novos tratamentos contra ansiedade e gerar bem-estar

É possível observar um novo sucesso na internet, principalmente nas redes sociais, como o Tiktok, e também no YouTube. O chamado ASMR, que quer dizer "resposta sensorial autônoma do meridiano", e consiste em estímulos sensoriais por meio de sussurros, sons com a boca, toques em superfícies e recursos visuais. 

Muitos influenciadores digitais estão consolidando suas carreiras nessa área, seja postando vídeos no YouTube ou também em lives no Tiktok. 


(Foto: Reprodução/Youtube)


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(Foto: Reprodução/Tiktok)


Apesar do grande sucesso, existem poucas pesquisas científicas, com dados empíricos, que mostram o motivo desses sons trazem tanto bem-estar a algumas pessoas, o que limita a compreensão sobre essa experiência. 

Entretanto, pesquisadores da Universidade Northumbria, no Reino Unido, publicaram um estudo em fevereiro no periódico Plos One, onde mostrou que pessoas que sofrem de transtorno de ansiedade são as mais beneficiadas pela técnica. Os participantes da pesquisa disseram ser usuários recorrentes dos vídeos de ASMR. E foi observado uma queda no nível de ansiedade após assistirem aos vídeos da prática.

Além disso, é importante saber a forma correta de usar esse método e também ter cuidado no horário que se usa, quem explica é médico George do Lago Pinheiro, da Associação Brasileira do Sono. “Quando a gente faz isso próximo ao horário do sono, pode acontecer algum fator que ajude a dormir. A gente precisa lembrar que, para dormir bem, a gente precisa reduzir a iluminação, a gente precisa garantir que o ambiente seja favorável pra o sono”, afirma.

“Quando a gente utiliza esse tipo de tecnologia, como vídeos na internet, nós estamos nos expondo à luminosidade e essa luminosidade pode atrasar a liberação daquele hormônio que é muito importante para o sono, que é a melatonina. Então a gente precisa, realmente, entender o quanto que essa técnica pode influenciar, seja positivamente, seja negativamente, no sono”, conclui o médico.


(Foto: Reprodução/Instagram)


Outro especialista, Tauily Taunay, psicólogo e professor dos cursos de psicologia da Unifor (Universidade de Fortaleza) e da UFC (Universidade Federal do Ceará), acredita que a ASMR pode atuar como um estímulo indutor de bem-estar e de emoções positivas. 

"Seus praticantes costumam relatar sensações de relaxamento, ajudando no alívio de sintomas de ansiedade e estresse. Obviamente, não pode ser uma ferramenta terapêutica exclusiva para tratar tais condições, mas parece ajudar a reduzir temporariamente esses sintomas, como um complemento no tratamento", diz.

Já a musicoterapia, é comprovadamente um estímulo positivo para o cérebro. Gerando diversos impactos nas nossas emoções e no nosso comportamento ao longo da vida. A terapeuta Akemi Shibuya explica: “A musicoterapia é uma terapia, uma ciência, que utiliza da relação sonoro-musical do paciente com o terapeuta, em prol de um objetivo, seja clínico, seja preventivo”.


(Foto: Reprodução/Instagram)


A coordenadora do projeto Neurociência e Música da UFABC (Universidade Federal do Grande ABC), Patrícia Vanzella, afirma que ouvir música pode nos motivar, alterar nosso humor, modular a nossa percepção de dor e até mesmo estimular comportamentos pró-sociais.

“Estudos indicam que isso ocorre porque a música parece mexer com sistemas neuroquímicos que regulam a disponibilidade de substâncias diretamente relacionadas às experiências de recompensa, à regulação de níveis de excitabilidade e estresse, às respostas imunológicas e à percepção de afiliação social", completa.

Aceitos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) desde 2017, tratamentos que utilizam a música são usados para auxiliar pacientes com TEA (Transtorno do Espectro do Autismo), T21 (Síndrome de Down), Alzheimer e outras demências, doença de Parkinson, dor crônica, pessoas que sofreram um AVE (Acidente vascular encefálico) e pessoas em coma. 


(Foto: Reprodução/Instagram)


A musicoterapeuta e mestranda no programa de pós-Graduação em neurociência e cognição na UFBABC (Universidade Federal do ABC) Luisiana Passarini explica como funciona uma sessão.

"São utilizados instrumentos musicais simples, de fácil manuseio, com a intenção de facilitar a expressão e a comunicação entre as pessoas que vivenciam a música juntas. Ou seja, o paciente não precisa ter conhecimento musical, saber tocar um instrumento ou cantar afinado para ser atendido em musicoterapia". É seguido com um plano terapêutico para cada paciente e tudo é realizado de forma personalizada, afirma Passarini.

Fonte Destaque: Repropução/Blog Probel